Novo rumo para o País
O actual Presidente da República «não respeita a vontade do povo», afirmou Edgar Silva no dia 13, dedicado ao contacto com trabalhadores, populações, eleitos e instituições em vários concelhos do Litoral Alentejano.
Em democracia não existem resultados pré-determinados
No Sinporsines, em Sines, onde participou num encontro com cerca de 50 membros de comissões de trabalhadores, dirigentes e delegados sindicais, Edgar Silva começou por afirmar que a sua candidatura «está do lado dos trabalhadores» e que «só faz sentido porque tem uma ligação directa a um colectivo maior de luta pelos direitos». Acrescentou que os dirigentes sindicais são «os primeiros mandatários» da candidatura, os que estão na vanguarda, na linha da frente.
Sobre o momento que o País atravessa, o candidato comunista caracterizou-o como um «tempo de expectativa e esperança», na medida em que as eleições de 4 de Outubro «travaram a política de direita», colocando «os partidos da direita e da extrema-direita em minoria». Há na sociedade «um sentimento profundo de que "já basta", "já basta" de conduzir o País para o desastre», disse, explicando que «um sintoma disso foi a reacção à queda do Governo», no dia 10. «É preciso um novo rumo para Portugal», salientou.
Direita agarrada ao poder
Os interesses de classe, os interesses do capital que «a direita e a extrema-direita querem continuar a defender não aceitam facilmente o derrube do Governo», afirmou o candidato, salientando que se agarram ao poder «para manter a linha de ataque aos direitos». A propósito do «pedido» de revisão extraordinária da Constituição da República (CR), Edgar Silva explicou que a direita se comporta como «os miúdos que jogam à bola e dizem: "vamos jogar até ganhar"». Esta situação «é quase uma tentativa de golpe de Estado», alertou, acrescentando: «O País não pode ficar adiado só porque eles não ganharam».
«De braço dado com o PSD e o CDS, para adiar ao máximo uma decisão», está o actual Presidente da República (PR), numa atitude que Edgar Silva classificou como de «total desrespeito pelas regras da democracia», antes de recordar que o PR «sempre esteve do lado da direita e da extrema-direita, do lado da ofensiva aos direitos dos trabalhadores», assinando «de cruz as leis do Governo». Prova disso são as várias leis que deixou passar e que o Tribunal Constitucional chumbou.
Candidatura única
Sobre a existência de muitas candidaturas, Edgar Silva afirmou que esse facto não é em si mesmo negativo, na medida em «mobilizam para o voto contra Marcelo, o candidato da direita e da extrema-direita». Este «aparece como se fosse superior a tudo e como se já tivesse ganho as eleições», mas – advertiu – «em democracia não existem resultados pré-determinados. É o povo que decide».
Sobre a existência de muitas candidaturas, Edgar Silva fez ainda questão de sublinhar que «a nossa é única»: a dos valores de Abril e que defende o cumprimento da CR, «lei das leis, base programática a partir da qual é possível construir um futuro completamente diferente para Portugal», disse.
Tempo de um tempo novo
Antes de devolver a palavra à mesa – onde se encontravam Bruno Martins, membro da DORLA, Hélder Guerreiro, dirigente do SITE Sul e vereador na Câmara Municipal de Sines, e Manuel Valente, responsável da DORLA e membro do Comité Central do PCP – e a passar aos trabalhadores que falaram no final da sua intervenção, o candidato comunista afirmou que «este é um tempo de um tempo novo, tempo de reconquistar direito a ter esperança», e apelou à participação de todos nesta batalha, «esclarecendo e mobilizando».
Grândola, terra de Abril
No final do dia em terras alentejanas, Edgar Silva participou num jantar, em Grândola, com cerca de 150 apoiantes, onde começou por fazer uma saudação ao Poder Local Democrático, que, num quadro marcado por tantas dificuldades e escassez de meios, tem estado na linha da frente da defesa dos serviços públicos, ao serviço da região.
Afirmando que a sua candidatura tem como «selo de garantia» o apoio do «partido da classe operária e dos trabalhadores», o candidato comunista salientou a importância das eleições para a Presidência da República e apelou a todos para que sejam mandatários desta candidatura, «por um novo rumo para Portugal, com progresso e justiça social».
Referindo-se ao actual momento político e à esperança suscitada pela queda do Governo, «que o povo celebrou», Edgar Silva advertiu que «a direita e a extrema-direita não dormem, estão assanhadas, em defesa dos seus interesses», e que o PR «não respeita, mais uma vez, a Assembleia da República, a vontade do povo», estando a ponderar «como servir os mercados, os agiotas».
O candidato apontou então as grandes responsabilidades do actual PR na «situação desastrosa» a que o País chegou. «O PR parece uma múmia, que até para rir pede licença, mas na prática de múmia nada tem», advertiu, lembrando que decidiu sempre contra «o povo e os trabalhadores, contra a CR, à revelia do seu juramento». A este título, Edgar Silva referiu vários direitos consagrados na CR – ao nível da Agricultura, Saúde, Educação, Segurança Social, dos trabalhadores – não respeitados pelo PR, que «decidiu em função dos interesses de classe que ele defende», dos «interesses do capital».
Alcácer e Santo André
Num almoço-convívio, em Alcácer do Sal, com eleitos do Poder Local na região no Litoral Alentejano, Edgar Silva teve palavras de reconhecimento e valorização para o trabalho realizado pelos autarcas e sublinhou a necessidade de defender o Poder Local Democrático, «um dos pilares da democracia, que tem sido alvo dos ataques da política de direita».
Referindo-se ao momento político actual, afirmou que o «actual PR é uma das peças da defesa da política de direita, para tentar perpetuar no poder quem já não tem condições de o exercer», e, tendo em conta o desejo dominante na sociedade portuguesa de que «já chega», disse esperar que «o PR, pelo menos agora, tenha a lucidez de perceber aquilo a que está obrigado».
Na visita às instalações dos Bombeiros Voluntários de Santo André (Santiago do Cacém), Edgar Silva foi recebido pelo presidente da direcção, Fonseca Santos, que revelou vários aspectos da instituição e falou dos problemas que a afectam, como o subfinanciamento. Também estiveram presentes e intervieram o presidente da Junta de Freguesia, Jaime Cáceres, e o comandante do Corpo de Bombeiros, Alberto Trigo. No final, Edgar Silva agradeceu toda a informação prestada, afirmou que o poder central deve disponibilizar mais meios para estas associações, com um papel fundamental no socorro e no apoio às populações, e defendeu que o PR deve ser «um porta-voz das suas justas reivindicações».