O presumível GEC
Armando Esteves Pereira, director-adjunto do Correio da Manhã, escreveu há dias: «Costa assinou quase secretamente numa sala fechada os três acordos com os partidos mais à esquerda».
Acontece que as três posições conjuntas «com os partidos mais à esquerda» foram, de imediato à assinatura, amplamente distribuídas (na íntegra) pelos órgãos de comunicação social, incluindo o CM, pelo que não se percebe onde o sr. Pereira foi buscar a ideia de que António Costa as assinou «quase secretamente».
A não ser que o facto de os actos de assinatura terem decorrido na banalidade duma sala fechada tenha levado o senhor a concluir que «foi em segredo», apesar de profusamente publicitados na íntegra.
Isso faz com que a rotundidade da mentira passe a mentira deliberada e, então, estará tudo explicado. É apenas uma peça mais do desnorte que campeia pela direita portuguesa, ampliado pela chusma de «Pereiras» que caruncham a generalidade da Informação.
Uma das teses em andamento é a da «legitimidade» de um governo do PS com apoio parlamentar à esquerda; a tese começa por declarar a «legitimidade formal» de tal governo «incontestável» (está na Constituição, era o que faltava) mas, concomitantemente, declara-a «eticamente reprovável», «violadora de hábitos constitucionais», «frágil», «coxa» e por aí adiante, no cardápio das lesões morais.
E esquece deliberadamente que a única legitimidade está definida na Constituição, determinando com clareza que uma maioria absoluta encontrada na Assembleia da República é apoio suficiente e indiscutível para um governo a ser empossado.
Daí derivam para outra abordagem – a de confiar (e pressionar) que o Presidente da República mantenha em gestão o XX Governo de Passos/Portas, derrubado na Assembleia da República aos magérrimos 18 dias de vida.
Trata-se de uma aposta escandalosa: o que sucederá ao País, num período de oito meses sem governo? O que farão «os mercados» a Portugal, se o virem sem rei nem roque durante tão dilatado período? A que estratosfera subirá a já impagável dívida do Estado português? Que novas exigências serão impostas pelos «credores», perante tão alargada ausência de autoridade governamental? Até onde disparará o milhão e meio de desempregados inscritos, prescritos, proscritos e, simplesmente, ignorados? A produção nacional descerá que abismos?
E o que tenciona fazer o PR, considerando que foi de novo visitar as cagarras à Madeira, enquanto o País permanece neste deprimente impasse? Continuará a adiar uma decisão que, a cada dia que passa, o afunda mais e mais na aparente conivência com a histeria anticonstitucional que fervilha na direita (Passos até já quis fazer uma revisão constitucional à pressa)?
É urgente que Cavaco Silva se defina neste presumível Golpe de Estado em Curso – o GEC da direita.