Tarefas prioritárias

Rui Fernandes (Membro da Comissão Política do PCP)

Consumada a ida para a rua do Governo PSD/CDS-PP, um legítimo e perceptível sentimento de alívio percorreu os trabalhadores e o povo. Os massacrados por uma política de espoliação de direitos, em cujo horizonte estava o seu aprofundamento, obtiveram uma importante vitória.

O alívio pela derrota do Governo não deve dar lugar ao atentismo

Tais sentimentos não podem, contudo, conduzir ao atentismo face ao novo quadro. A situação do País, os problemas económicos e sociais, os efeitos da política de agravamento da exploração e de empobrecimento, a ofensiva do grande patronato, as reivindicações para uma vida melhor, exigem o desenvolvimento da luta dos trabalhadores e do povo.

Passadas as eleições legislativas, a verdadeira realidade do País começou a confrontar-se com as mentiras e as mistificações vendidas. Ao mesmo tempo – estilhaçada que foi a grelha pré-fabricada pelas posições assumidas pelo nosso Partido –, ganhou particular violência a campanha anticomunista com várias origens, graus e matizes, impondo acrescidas exigências de esclarecimento: sobre a realidade do País e sobre o novo quadro aberto pela ida para a rua do Governo, com a consciência das exigências que ele comporta.

Neste contexto, e no quadro das decisões do Comité Central, é da maior importância o desenvolvimento da luta dos trabalhadores em torno de reivindicações concretas. Luta que se articula com o trabalho para o fortalecimento das organizações unitárias dos trabalhadores, com destaque para o movimento sindical unitário, e das organizações e movimentos unitários de massas das classes, camadas e sectores sociais antimonopolistas.

O desenvolvimento da luta das várias camadas e sectores sociais pelos seus direitos é uma necessidade que se impõe para o alargamento da frente social de luta que abra o caminho da concretização de uma efectiva política patriótica e de esquerda, uma política que o PCP reafirma como absolutamente indispensável para romper com o poder do capital monopolista e com as limitações e constrangimentos decorrentes da integração capitalista da União Europeia e dos seus instrumentos de dominação.

Um PCP mais forte

No plano do reforço orgânico do Partido, está colocado um conjunto de linhas de trabalho essencial para, a partir de discussões concretas a realizar nas organizações, definir objectivos, entre os quais se destaca:

  • o reforço da organização e intervenção do Partido nas empresas e locais de trabalho tendo como elementos centrais a criação e reforço de células, o recrutamento e integração de novos militantes, a par do reforço dos organismos com membros do Partido que intervêm no movimento sindical unitário e nas organizações dos trabalhadores em geral;

  • o desenvolvimento de linhas de estruturação para o trabalho de massas – na organização dos militantes reformados e pensionistas; na área da cultura e junto dos intelectuais e quadros técnicos; no trabalho junto da juventude e do reforço da JCP; no trabalho junto dos micro, pequenos e médios empresários; dos pequenos e médios agricultores; de outras camadas, sectores sociais e áreas de intervenção específicas, designadamente para o desenvolvimento do trabalho político unitário;

  • o reforço das estruturas e do trabalho de propaganda e a realização no âmbito da divulgação da imprensa do Partido de uma campanha nacional de difusão do Avante!;

  • A adopção de medidas que garantam a independência financeira do Partido, designadamente no plano do pagamento regular das quotizações e do aumento do seu valor, e a intensificação da campanha de fundos para a Quinta do Cabo.

Dinamizar a candidatura de Edgar Silva

No quadro do desenvolvimento do trabalho do Partido, ganha crescente centralidade a campanha para Presidência da República em torno da candidatura de Edgar Silva. Uma candidatura nacional, dirigida a todos os democratas e patriotas, que traduz as preocupações e anseios dos trabalhadores e do povo português. Uma candidatura que desde a sua apresentação vem granjeando crescentes apoios e simpatias.

A poucos meses do 40.º aniversário da Constituição da República e num quadro em que o exercício dos direitos emerge cada vez mais como questão essencial, esta candidatura afirma um compromisso empenhado com o projecto de Abril, inscrito na Constituição da República Portuguesa. Como afirma Edgar Silva na declaração de candidatura, «a injustiça não é invencível». Pelo meio de muitas complexidades a vida prova-o e o camarada Edgar Silva tem razão: «o vermelho quente do futuro virá.»




Mais artigos de: Opinião

O presumível GEC

Armando Esteves Pereira, director-adjunto do Correio da Manhã, escreveu há dias: «Costa assinou quase secretamente numa sala fechada os três acordos com os partidos mais à esquerda». Acontece que as três posições conjuntas «com os partidos mais à...

Coro dos golpistas

De cabeça perdida e com as camadas de verniz democrático com que se foram cobrindo a estalar, os círculos políticos do grande capital procuram salvar PSD e CDS da derrota a que a sua política e a luta que lhe fez frente os conduziu. Ninguém está faltando à chamada...

Às escondidas

A venda da TAP foi anunciada por comunicado para as redacções, depois de concretizada em segredo e às 11h30 da noite, por um governo demitido há dois dias. Quase que apetecia deixar o texto por aqui e o resto do espaço em branco, porque fica quase tudo dito, o...

Golpistas

Terça feira, 10 Novembro, 6h da manhã. Por todo o País erguem-se já os que, horas mais tarde, exigirão, nas ruas de Lisboa e em frente à Assembleia da República, a derrota do Governo PSD/CDS, culminando os quatro anos e meio de luta, que atingiu dimensões...

Não só condenar

Para além da necessária e firme condenação, a criminosa carnificina de Paris obriga a extrair conclusões políticas. É intolerável que as mesmas forças políticas, económicas e mediáticas que multiplicam palavras de...