Tarefas prioritárias
Consumada a ida para a rua do Governo PSD/CDS-PP, um legítimo e perceptível sentimento de alívio percorreu os trabalhadores e o povo. Os massacrados por uma política de espoliação de direitos, em cujo horizonte estava o seu aprofundamento, obtiveram uma importante vitória.
O alívio pela derrota do Governo não deve dar lugar ao atentismo
Tais sentimentos não podem, contudo, conduzir ao atentismo face ao novo quadro. A situação do País, os problemas económicos e sociais, os efeitos da política de agravamento da exploração e de empobrecimento, a ofensiva do grande patronato, as reivindicações para uma vida melhor, exigem o desenvolvimento da luta dos trabalhadores e do povo.
Passadas as eleições legislativas, a verdadeira realidade do País começou a confrontar-se com as mentiras e as mistificações vendidas. Ao mesmo tempo – estilhaçada que foi a grelha pré-fabricada pelas posições assumidas pelo nosso Partido –, ganhou particular violência a campanha anticomunista com várias origens, graus e matizes, impondo acrescidas exigências de esclarecimento: sobre a realidade do País e sobre o novo quadro aberto pela ida para a rua do Governo, com a consciência das exigências que ele comporta.
Neste contexto, e no quadro das decisões do Comité Central, é da maior importância o desenvolvimento da luta dos trabalhadores em torno de reivindicações concretas. Luta que se articula com o trabalho para o fortalecimento das organizações unitárias dos trabalhadores, com destaque para o movimento sindical unitário, e das organizações e movimentos unitários de massas das classes, camadas e sectores sociais antimonopolistas.
O desenvolvimento da luta das várias camadas e sectores sociais pelos seus direitos é uma necessidade que se impõe para o alargamento da frente social de luta que abra o caminho da concretização de uma efectiva política patriótica e de esquerda, uma política que o PCP reafirma como absolutamente indispensável para romper com o poder do capital monopolista e com as limitações e constrangimentos decorrentes da integração capitalista da União Europeia e dos seus instrumentos de dominação.
Um PCP mais forte
No plano do reforço orgânico do Partido, está colocado um conjunto de linhas de trabalho essencial para, a partir de discussões concretas a realizar nas organizações, definir objectivos, entre os quais se destaca:
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o reforço da organização e intervenção do Partido nas empresas e locais de trabalho tendo como elementos centrais a criação e reforço de células, o recrutamento e integração de novos militantes, a par do reforço dos organismos com membros do Partido que intervêm no movimento sindical unitário e nas organizações dos trabalhadores em geral;
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o desenvolvimento de linhas de estruturação para o trabalho de massas – na organização dos militantes reformados e pensionistas; na área da cultura e junto dos intelectuais e quadros técnicos; no trabalho junto da juventude e do reforço da JCP; no trabalho junto dos micro, pequenos e médios empresários; dos pequenos e médios agricultores; de outras camadas, sectores sociais e áreas de intervenção específicas, designadamente para o desenvolvimento do trabalho político unitário;
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o reforço das estruturas e do trabalho de propaganda e a realização no âmbito da divulgação da imprensa do Partido de uma campanha nacional de difusão do Avante!;
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A adopção de medidas que garantam a independência financeira do Partido, designadamente no plano do pagamento regular das quotizações e do aumento do seu valor, e a intensificação da campanha de fundos para a Quinta do Cabo.
Dinamizar a candidatura de Edgar Silva
No quadro do desenvolvimento do trabalho do Partido, ganha crescente centralidade a campanha para Presidência da República em torno da candidatura de Edgar Silva. Uma candidatura nacional, dirigida a todos os democratas e patriotas, que traduz as preocupações e anseios dos trabalhadores e do povo português. Uma candidatura que desde a sua apresentação vem granjeando crescentes apoios e simpatias.
A poucos meses do 40.º aniversário da Constituição da República e num quadro em que o exercício dos direitos emerge cada vez mais como questão essencial, esta candidatura afirma um compromisso empenhado com o projecto de Abril, inscrito na Constituição da República Portuguesa. Como afirma Edgar Silva na declaração de candidatura, «a injustiça não é invencível». Pelo meio de muitas complexidades a vida prova-o e o camarada Edgar Silva tem razão: «o vermelho quente do futuro virá.»