Mobilizar a juventude para a luta

Paulo Raimundo

«Ir para junto das massas juvenis, mobilizá-las para a luta, reforçar a JCP». Esta é uma síntese possível das conclusões da Direcção Nacional da JCP na sua reunião de Outubro de 2015 e em grande medida a tarefa fundamental que, de forma integrada, deve continuar a ser levada por diante pelos jovens comunistas.

Sem menosprezar a dimensão da ofensiva ideológica, económica e social, assim como as suas devastadoras consequências na vida de parte significativa da juventude, e não esquecendo as imensas dificuldades para a resposta que daí advêm, a conquista de direitos e a concretização dos justos anseios da juventude dependem, como sempre, do esclarecimento, participação mobilização e luta do movimento juvenil, e não menos importante, da força e capacidade de intervenção organizada da Juventude Comunista Portuguesa.

É inserida nesta realidade que se está a concretizar as linhas de trabalho decididas, encarando-as de forma integrada e profundamente dialéctica, onde a concretização de umas puxa pelas outras e, dessa forma, abre novos espaços para avanços.

Ir para junto das massas juvenis, ouvir os seus problemas e anseios, o que lhes vai na cabeça e o que têm para dizer; provocar o debate e o esclarecimento munindo-as com os elementos necessários para a sua reflexão e tomada de posição próprias; dar ânimo e confiança à sua organização, mobilização e à luta em torno dos problemas que as afectam: são estas as tarefas fundamentais que se colocam a todos e a cada um dos jovens comunistas e é na concretização dessas tarefas que se resolve problemas concretos, se alarga a consciência social e política sendo, acima de tudo é no desenvolvimento dessa acção que se encontra as energias, novas forças e militantes, mais gente organizada para que cada vez sejam mais a elevar a ligação às massas juvenis e dinamizar a sua luta.

Em grande medida não há novidade nestas decisões. Na realidade estas são tarefas de todos os dias e as linhas de trabalho de sempre.

No entanto, e face à actual situação, elas assumem-se como determinantes para dar resposta à brutal ofensiva ideológica que a juventude enfrenta nas escolas, locais de trabalho e até nos seus locais de convívio; dar combate organizado à política de direita e lutando contra cada uma das suas medidas; com a mobilização e a luta, abrir caminhos que garantam a concretização de uma política que, sem reservas, ataque de frente os dramáticos problemas que afectam a juventude, que são em si mesmos os grandes problemas do presente e futuro do País.

Mudar de rumo

Naturalmente que, também para o movimento juvenil, não é indiferente quem em cada momento assume o poder político, mas tendo em conta a experiência vivida e sofrida dos últimos 39 anos, o que há a reter é que de pouco vale quem, se a política, independentemente de caras e cores diferentes, for sempre no mesmo e negativo sentido.

Se é verdade que a juventude atravessou e enfrentou, em particular nos últimos quatro anos, um ataque de grandes dimensões, também é verdade que neste período se forjaram novos lutadores e activistas, gente nova que, pela primeira vez, deu o passo de se organizar e mobilizar outros para uma luta que, assumindo diferentes formas, valeu e vale a pena.

Celebramos a derrota do PSD / CDS e do seu Governo. Valeu a pena lutar. Foi a empenhada, determinada e corajosa luta dos trabalhadores, de diferentes camadas da população, com particular destaque para o contributo dado pela juventude, que deu início, alimentou e consumou esta derrota. Não foram discursos inflamados, tiradas engraçadas ou páginas de jornais que deitaram o Governo PSD/CDS abaixo. Não, o que verdadeiramente os derrotou, primeiro socialmente e depois eleitoralmente, foram as centenas de lutas nas escolas, faculdades, empresas, locais de trabalho e nas ruas.

Aqui chegados, há três questões que o movimento juvenil tem como certas: terá sempre ao seu lado, nos bons e nos maus momentos, a JCP e os jovens comunistas, também eles inseridos no movimento juvenil; constitui um movimento poderoso com uma força e capacidade da qual muitas vezes não tem real dimensão; o caminho da mobilização e da luta é o único garante para defender e conquistar os seus próprios direitos.

As recentes acções de luta realizadas pelos estudantes do Ensino Básico e Secundário, com destaque para as do passado dia 5 de Novembro; as dinâmicas de luta em curso numa série de faculdades em diversas universidades; a importante participação juvenil na concentração convocada pela CGTP-IN junto à Assembleia da República na passada terça-feira e acima de tudo a participação e mobilização dos jovens trabalhadores nas empresas e locais de trabalho, revelam que o movimento juvenil não está aprisionado pelo atentismo. Constituem exemplos concretos de que as linhas fundamentais definidas, para além de acertadas, estão no terreno e a serem compreendidas e assumidas pela juventude.

Foi, é e será na profunda ligação e inserção nas massas juvenis com a sua consequente mobilização e luta, que a JCP se reforça e, por conseguinte, o Partido, o seu projecto e ideias alargam a sua influência.

 



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