Defender o ensino artístico
Os cortes «esmagadores», por parte do Ministério da Educação (MEC), nos apoios às instituições que facultam o ensino artístico no distrito de Castelo Branco constituem um ataque frontal à democratização do ensino e uma ameaça dirigida ao interior e às zonas económica e socialmente mais carenciadas do País, afirma a CDU numa nota de imprensa. «O MEC do Governo PSD/CDS termina o seu nefasto mandato com dois sinais claros às populações, aos alunos e professores do distrito de Castelo Branco: desprezo e desigualdade de classe», sublinha-se.
Com o ensino artístico público confinado ao litoral, o funcionamento dos conservatórios e das escolas de música no Interior e no Alentejo baseia-se em colectividades e instituições locais, apoiadas financeiramente pelo MEC, refere a CDU. No respeitante ao distrito de Castelo Branco, as associações locais encontravam-se sem qualquer margem financeira após sete anos de subfinanciamento e, agora, viram «as suas estruturas abaladas por cortes cegos e ameaçadores da sua própria existência», acrescenta a Coligação.
Já depois de aprovada a abertura das turmas e de centenas de alunos de Castelo Branco, Covilhã, Fundão e Belmonte terem realizado provas de admissão, em Agosto o MEC cortou, de forma súbita, o apoio a todas estas escolas, lê-se no texto, que sublinha as consequências desta decisão: centenas de crianças do distrito irão perder o direito ao ensino artístico; um quarto dos professores no activo serão despedidos; a prazo, toda a rede de ensino artístico local será encerrada.
A CDU revela que, em certos casos, os cortes foram de cem por cento, levando a que, na faixa etária do primeiro ciclo, apenas as crianças de famílias com maiores possibilidades económicas possam aceder a uma formação artística de qualidade. No que diz respeito ao ensino articulado – a partir do 5.º ano – abriu-se vagas para menos de dez por cento dos alunos que se haviam candidatado. Ou seja, com a sua decisão, o MEC eliminou, de forma unilateral, «a formação artística de 90 por cento das crianças que no distrito se propuseram a estudar música».
Potenciar a reflexão
O ensino artístico e a prática das artes dotam as populações de novos instrumentos de análise do mundo, de autonomia no pensamento, de potencial para o sonho – características que assustam Nuno Crato e o induzem a este ataque de cariz ideológico, afirma a CDU, sublinhando a importância de as populações lutarem – também através do voto – pelo direito a uma formação integral do indivíduo e não deixando «que os instrumentos de leitura e transformação do mundo fiquem exclusivamente acessíveis aos ricos».