Crescem ameaças à paz
A luta pela abolição das armas nucleares, pelo desarmamento e pela paz assume extrema importância face à escalada militarista e de guerra dos EUA. O alerta é do PCP, no 70.º aniversário de Hiroxima e Nagasaki.
PCP apela à luta pela paz o desarmamento e a dissolução da NATO
Numa declaração, divulgada dia 6, Pedro Guerreiro, membro do Secretariado do CC do PCP, lembra as centenas de milhares de mortes provocadas pelas bombas atómicas que os EUA lançaram sobre Hiroxima e Nagasaki, a 6 e 9 de Agosto de 1945, respectivamente, e as terríveis sequelas que perduram 70 anos depois.
Trata-se de «um dos maiores crimes jamais cometido que não pode, nem deve ser esquecido», afirma o PCP, sublinhando que o «lançamento da bomba atómica pelos EUA contra as populações japonesas constitui uma fria e premeditada demonstração do seu poderio militar no final da Segunda Guerra Mundial, que marca o início da sua ameaça e chantagem nuclear ao mundo e, antes de mais, à União Soviética, para afirmar os EUA como potência hegemónica no plano mundial».
A ameaça nuclear norte-americana permanece, pelo que o PCP «expressa a sua preocupação e alerta para os perigos da ofensiva militarista dos EUA e da NATO na Europa, onde se integram os exercícios da NATO em Portugal, Espanha e Itália, com início previsto para o final de Setembro e anunciados como dos maiores exercícios realizados por esta organização belicista». Tais exercícios, perspectivados para «projectar a intervenção da NATO no Mediterrâneo, Norte de África e Médio Oriente», inserem-se na «estratégia mais geral de militarização das relações internacionais, de corrida aos armamentos e de criação e gestão de focos de desestabilização, tensão e conflito em praticamente todas as regiões do mundo, através da qual os EUA e seus aliados – nomeadamente na NATO, de que a União Europeia é o pilar europeu –, procuram assegurar a imposição das suas pretensões hegemónicas, confrontando e agredindo todos aqueles que resistem à estratégia de domínio mundial do imperialismo».
São expressão desta realidade – salienta o PCP – o «agravamento da situação no Médio Oriente, com a guerra na Síria e no Iraque e a opressão de Israel sobre o povo palestiniano, não esquecendo a guerra no Afeganistão; a militarização da União Europeia; a escalada fascizante e militarista na Ucrânia; a instalação do sistema anti-míssil dos EUA na Europa; e o reforço das forças militares dos EUA e da NATO no Leste da Europa visando a Federação Russa; o intervencionismo militar e as operações de recolonização em África; o incremento do militarismo japonês; a permanente tensão na Península da Coreia; a crescente militarização do Extremo Oriente visando a China; ou a continuação do bloqueio contra Cuba e a desestabilização da Venezuela e de outros países da América Latina».
Romper com política de submissão
«Numa situação internacional caracterizada pela crise estrutural do capitalismo, por um processo de rearrumação de forças à escala mundial e pela resistência e luta dos trabalhadores e dos povos em defesa dos seus direitos, soberania e aspirações, o imperialismo lança-se numa violenta ofensiva exploradora e opressora – política a que sucessivos governos têm vindo a amarrar Portugal» – alerta o PCP, para quem se impõe a «ruptura com a política de submissão aos ditames estratégicos e militares dos EUA, da NATO e da UE».
Considerando que «recordar Hiroshima e Nagasaki é não só não esquecer as suas centenas de milhares de vítimas, como, em sua homenagem, intervir para que nunca mais a Humanidade venha a sofrer o horror nuclear», o PCP reafirma o seu empenho em «contribuir para o reforço do movimento da paz e de solidariedade com os povos vítimas da agressão imperialista» e apela à «luta contra o militarismo, contra a ingerência e a guerra e pela paz, pelo desarmamento – em particular, pelo desarmamento nuclear –, pela resolução pacífica dos conflitos internacionais, pelo fim das bases militares estrangeiras, pela dissolução da NATO, pelo respeito da soberania e independência nacionais, pelo progresso social, a amizade e a cooperação entre os povos».