Wrestling – pragas e pecados

Carlos Gonçalves

O debate parlamentar do «estado da Nação» decorreu este ano num quadro pré-eleitoral, em que PS e PSD/CDS, partidos do arco da política de direita, do arco da dívida, da exploração e da submissão, estavam profunda e mutuamente interessados em fazer constar as suas «irreconciliáveis» divergências – o que, convenhamos, é cada vez mais difícil, tantos são os «arcos» e arquinhos que os unem e tão omnipotentes os interesses que os comandam.

Tivemos assim os «sete pecados capitais» do Governo, desfiados pelo PS, e devidamente antecipados no «Público», para que Coelho/Portas preparassem as «dez pragas que o PS deixou a Portugal». Tudo previsto para a encenação de «oposição» e «profunda discordância», ao nível daqueles combates de Wrestling (luta livre americana), de grande espectáculo, mas com tudo previamente coreografado e resultados fabricados – neste caso, projectando o «empate técnico» das sondagens marteladas para o debate parlamentar, para continuar a puxar pela bipolarização artificial, que interessa a ambos, ao arco do capital financeiro, da manipulação e continuidade desta política.

Se olharmos de perto para os pecados e pragas com que mutuamente se esconjuraram, é evidente que são sempre (ou quase) de decisão e responsabilidade conjunta e continuada de PS, PSD e CDS. Citando palavras de Ferro Rodrigues e P. Coelho – mentira política, desemprego, emigração, desmantelamento dos serviços básicos, precariedade, aumento de impostos, corte de salários, escândalo das privatizações, PPP, nacionalização do BPN, Portugal um dos países mais desiguais da UE, endividamento galopante, PEC, pedido de ajuda à troika – ou seja, PS e PSD/CDS são tão semelhantes na política de direita como na mentira e na falta de vergonha.

E (já agora) são também semelhantes no apoio às imposições da UE ao povo grego e nas promessas falsas para o nosso País, empenhados em «combater a pobreza», no futuro, enquanto preparam ainda mais exploração e degradação das condições de vida dos trabalhadores e do povo.

É imperioso multiplicar o esclarecimento e a intervenção para, nas eleições legislativas, juntar à inevitável «banhada» do PSD/CDS (juntos tiveram 50,35% em 2011), a necessária derrota da política de direita. Com o reforço do PCP e da CDU.




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