Cimeira dos BRICS

Cooperação avança

Convergência de pontos de vista e o desejo de intervir mais activamente nas questões de interesse global marcam as conclusões da 7.ª cimeira dos BRICS, realizada dia 9, em Ufá, na Rússia.

Primeiros projectos de investimento serão aprovados em Abril de 2016

A declaração de Ufá, assinada pelos líderes dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) defende, entre outras coisas, a aceleração das reformas da ONU e do FMI, denuncia o uso de sanções unilaterais, e exorta as partes em conflito na Ucrânia a respeitar os acordos de Minsk.

Com um total de 50 páginas, o documento aborda quase todos os problemas que dominam a actualidade internacional, desde os conflitos bélicos às questões do meio ambiente, passando pelo combate à corrupção e à luta contra o narcotráfico.

Com um total de 50 páginas, o documento aborda quase todos os problemas que dominam a actualidade internacional, desde os conflitos bélicos às questões do meio ambiente, passando pelo combate à corrupção e à luta contra o narcotráfico.

A cimeira deu no entanto natural destaque às questões respeitantes à Rússia – anfitriã do encontro – designadamente as sanções impostas pelos EUA e União Europeia (UE) a Moscovo após a reintegração da Crimeia e o agravamento da situação no sudeste da Ucrânia. O conflito não tem solução militar e a única via para reconciliação é um diálogo político inclusivo, advogam os líderes dos BRICS.

«Condenamos intervenções militares unilaterais e sanções económicas em violação do direito internacional e das normas universalmente reconhecidas de relações internacionais», refere o documento, sublinhando que «nenhum país pode aumentar a própria segurança em detrimento da segurança de outros países».

Quanto à reforma do FMI, os BRICS não escondem a sua decepção com a UE por não ter ratificado, até à data, as reformas acordadas em 2010 pelos países membros, considerando que tal é um obstáculo para o aumento das cotas e a revisão das mesmas a favor dos países emergentes. De acordo com o calendário estabelecido, as referidas reformas deveriam ser aprovadas até meados de Setembro próximo. Os BRICS manifestam-se disponíveis para trabalhar sobre medidas intermédias que possam aproximar as cotas do nível acordado anteriormente.

Por outro lado, o grupo reafirma apostar no diálogo no seio do G-20 (grupo criado em 1999 composto pelos ministros de finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia) para diminuir os riscos às políticas monetárias dos países que emitem reservas de divisas. Constatando que continua a recuperação da economia global, ainda que o crescimento seja pequeno e diferente entre os países e as regiões, o grupo adverte para os riscos vinculados principalmente com a dívida soberana, o desemprego, a redução de investimentos, o volume do comércio e os impostos de juros negativos no contexto da baixa inflação em algumas economias desenvolvidas.

O banco de desenvolvimento

De acordo com a declaração de Ufá, os BRICS pretendem estudar a ampliação do comércio mútuo nas respectivas moedas nacionais, e concordaram em tomar medidas para alargar o acesso aos seus mercados agrícolas, designadamente através da eliminação dos subsídios às exportações e a diminuição do nível de apoio interno que são obstáculos ao comércio. Quanto ao banco de desenvolvimento dos BRICS, o documento garante que os primeiros projectos de investimento serão aprovados em Abril de 2016, saudando as propostas para estreitar a cooperação com os mecanismos financeiros vigentes, como o Banco Asiático de Investimento em Infra-estrutura, criado pela China.

 

Paz e cooperação

O conflito israelo-palestiniano, o terrorismo e a corrida armamentista no espaço são outros dos temas constantes da declaração da cimeira de Ufá. Convocando Israel e a Palestina a retomar as conversações para chegar a um acordo que contemple a coexistência pacífica dos dois países e de que resulte a criação de um Estado Palestiniano viável nas fronteiras de 1967 e com capital em Jerusalém Oriental, os BRICS pronunciam-se contra a política israelita de construção de colonatos nos territórios ocupados, sublinhando que tal é contrário ao direito internacional e mina as possibilidades de alcançar a paz.

Quanto ao terrorismo, o documento apela a todos os países que se abstenham de usar dois pesos e duas medidas na luta contra este flagelo, considerando que o mesmo só será vencido se a comunidade internacional cumprir os compromissos que resultam das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Estratégia antiterrorista global da ONU. O texto condena ainda os actos desumanos de violência que são perpetrados pelo movimento terrorista Estado Islâmico e pela Frente al-Nusra e seus seguidores.

No documento resultante da cimeira pede-se igualmente a assinatura de acordos internacionais que impeçam a militarização do espaço extraterrestre, destacando que «a exploração e o uso do espaço devem perseguir exclusivamente fins pacíficos».




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