Fronteiras fechadas
Centenas de imigrantes, a maioria de países africanos, estão bloqueados na fronteira entre a Itália e a França, impedidos de prosseguir viagem pelas autoridades gaulesas.
França desrespeita convenções internacionais
Na localidade fronteiriça italiana de Ventimiglia, centenas de imigrantes aguardam há semanas que os deixem transitar.
No sábado, 13, cerca de 200 pessoas manifestaram-se para exigir a abertura da fronteira e o respeito pelos direitos humanos. Os protestos foram reprimidos pelas forças de segurança.
A França nega que tenha fechado as fronteiras no espaço europeu Schengen, explicando que apenas intensificou o controlo para travar a entrada de imigrantes indocumentados.
No entanto, estas medidas impedem milhares de pessoas, que compraram os seus bilhetes, de viajar para outros países europeus.
Segundo a agência EFE, muitos imigrantes garantem que nem sequer pretendem fixar-se em França, tendo como destino outros países no Norte da Europa onde já residem familiares.
Procedimentos ilegais
Os imigrantes detidos em território francês, adultos e crianças, são simplesmente reconduzidos à fronteira italiana. A polícia francesa confisca-lhes os bilhetes de comboio e manda-os para trás, sem efectuar nenhuma diligência administrativa para apurar a origem ou registar um possível pedido de asilo.
Esta actuação é confirmada por Martine Landry, representante da Amnistia Internacional em Nice. Em declarações, dia 8, ao l´Humanité, qualificou de ilegais os procedimentos da polícia em relação à maioria dos imigrantes: não cumprem a Convenção de Genebra nem a Convenção Internacional dos Direitos da Criança.
Desde o início do ano, mais de 50 mil pessoas chegaram às costas de Itália. Ao tentarem alcançar outros países, encontram todas as fronteiras fechadas. Além da França, também a Suíça e a Áustria apertaram o controlo. Apenas a passagem pela Eslovénia mantém alguma permeabilidade.
Desde que as fronteiras se tornaram um obstáculo intransponível, multidões de imigrantes vagueiam pelas estações ferroviárias das principais cidades transalpinas.
Municípios italianos e organizações humanitárias têm levantado acampamentos para abrigar estas pessoas, como é o caso de Roma onde a autarquia e a Cruz Vermelha montaram uma tenda com capacidade para 150 indivíduos, considerados oficialmente «em trânsito».