Desafios ao nosso alcance
«Aqui esteve em análise a evolução da realidade política, económica, social e cultural deste distrito nos últimos quatro anos, mas igualmente a perspectiva do trabalho que temos pela frente, as tarefas e os combates que temos que travar, nomeadamente neste árduo ano de 2015, onde às exigentes tarefas de dinamização da luta de massas e da intervenção política em defesa dos interesses dos trabalhadores e da população, do reforço da organização do Partido se acrescenta uma importante batalha eleitoral, cujo desfecho vai determinar, em grande medida, a evolução no imediato da situação política no País», afirmou Jerónimo de Sousa no encerramento da VIII Assembleia da Organização Regional de Lisboa (AORL).
Manifestando confiança de que «estaremos à altura», o Secretário-geral do PCP abordou com particular ênfase o necessário fortalecimento do PCP nos diversos planos. O que impõe «uma grande e reforçada disponibilidade», referiu, detalhando depois a importância de dar «novos passos na estruturação da organização partidária», na elevação da militância, «na dinamização das organizações locais e na estruturação e aprofundamento do trabalho junto das mais diversas camadas, sectores sociais e áreas de intervenção específicas», mas também na «intensificação da propaganda e da divulgação da imprensa do Partido, o “Avante!” e «”O Militante”», e na independência financeira do Partido.
Reforçar a «organização e intervenção do Partido junto da classe operária e dos trabalhadores, nas empresas e locais de trabalho», é uma prioridade, apontada na Resolução Política aprovada na Assembleia, que o Secretário-geral do PCP também destacou, lembrando, a propósito, que o cumprimento da meta apontada no documento – recrutar 1000 operários e outros trabalhadores até à próxima reunião magna da ORL –, obriga à identificação audaz das «favoráveis possibilidades de alargamento das nossas fileiras, tendo em conta o grande prestígio do Partido e do trabalho e intervenção dos comunistas neste distrito».
A verdade dos factos
Na sua intervenção, Jerónimo de Sousa não esqueceu a situação em que se encontram o nosso povo e País e os perigos que espreitam. Nesse sentido, alertou que «a troika foi-se embora, mas ficou a sua política de extorsão e confisco, agora sob a vigilância apertada da Comissão Europeia e em nome do cumprimento do Tratado Orçamental que os partidos da troika nacional [PS, PSD e CDS] aprovaram». Referiu-se, nomeadamente, ao chamado Programa de Estabilidade e ao Programa Nacional de Reformas que projecta a perpetua «a política das benesses» para «os senhores do dinheiro, para os grandes grupos económicos», e de «sacrifícios e mais sacrifícios para quem trabalha ou trabalhou».
Das propostas do Governo, ainda não se conhece tudo, prosseguiu o dirigente comunista, para quem PSD e CDS não disseram que pretendem manter a «ofensiva de imposição da lei da selva no trabalho em concertação com União Europeia (UE) e o FMI», ou que «a sua contra-reforma da Segurança Social, para a qual apelam ao consenso dos partidos da troika, é para liquidar a Segurança Social pública e esmagar de forma brutal o valor das pensões e das reformas».
«Não disse o Governo e não disseram outros, como o PS, que tentam passar por entre os pingos da chuva mantendo a sua vinculação às orientações e instrumentos de submissão da governação económica da UE e do euro e com os quais não quer romper», advertiu ainda o Secretário-geral do PCP.
O que o PS quer é «sol na eira e chuva no nabal», acusou Jerónimo de Sousa, e assim o povo português não deve acalentar ilusões, uma vez que «a manter-se esta política das troikas sem troika e com o Pacto Orçamental, pelas mãos do PSD e do CDS ou por outras que as tomem no essencial como suas, como o PS, os portugueses só podem esperar o pior!»
Juntem-se à alternativa
Neste contexto, é evidente que «não há saída para uma vida digna para o nosso povo sem ruptura com as regras do Tratado Orçamental e do euro, sem renegociar a divida, sem uma nova política patriótica e de esquerda», considerou o Secretário-geral comunista. Daí ter afirmado que «o País precisa de virar a página», mas, para tal, «não basta mudar de governo».
Por isso, exortou o colectivo partidário a empenhar-se numa campanha «que torne claro que o PS, o PSD e o CDS-PP são os responsáveis pela situação de declínio nacional e que é com esse rumo que continuam comprometidos».
«Sabemos que são cada vez mais aqueles que ganham consciência de que a solução dos problemas nacionais tem de ser encontrada fora do ciclo de rotativismo e alternância (...), que são cada vez mais os que reconhecem na CDU uma força com proposta e soluções», disse, antes de lançar o repto aos muitos que hoje partilham as nossas propostas e reconhecem a nossa seriedade e coerência: «juntem-se ao PCP e à CDU, sejam parte activa desta corrente de exigência de mudança, de alternativa, de futuro».