Reforçar a luta pela alternativa
Num jantar em Lisboa e num almoço em Castelo Branco, respectivamente na sexta-feira e no domingo, Jerónimo de Sousa reafirmou a necessidade de intensificar a luta para pôr fim à política de direita.
O PCP e a CDU têm um projecto alternativo
Largas dezenas de pessoas, na sua maioria militantes comunistas com intervenção em estruturas representativas dos trabalhadores, participaram, dia 10, no jantar promovido pelo Sector Sindical da Organização Regional de Lisboa do PCP, que encheu por completo o salão do Centro de Trabalho Vitória. Na sua intervenção, Jerónimo de Sousa começou por se dirigir àqueles que, com ele, travaram múltiplas e intensas batalhas de classe ao longo dos anos, valorizando em seguida a intervenção de muitos jovens, comunistas ou não, que na Interjovem e nos sindicatos da CGTP-IN constroem a unidade e organizam a luta nas empresas e nos locais de trabalho.
Chamando a atenção para os tempos complexos em que vivemos, em que grandes perigos convivem com grandes potencialidades de transformação, o Secretário-geral do Partido sublinhou o rasto de destruição deixado por 38 anos de política de direita, agravada nos últimos quatro com o pacto de agressão da troika: aumento do desemprego, da pobreza e da emigração, cortes nas funções sociais do Estado e empobrecimento generalizado dos trabalhadores e do povo e crescimento da dívida e do défice.
Face aos novos cortes em áreas como a saúde, a educação e a protecção social – previstos no Programa Nacional de Reformas 2020 – o dirigente comunista questionou: como pode o Governo afirmar que «tudo vai bem»? A resposta torna-se mais clara após Pedro Passos Coelho ter dito nesse mesmo dia, na Fundação Champalimaud, que Portugal pode ser um País altamente competitivo se forem reduzidos os custos do trabalho nas empresas e mantidos (se não mesmo aumentados) os benefícios ao grande capital. O que o Governo quer, resumiu Jerónimo de Sousa, é «transformar Portugal na Singapura da Europa».
A luta decide
Como frisou o dirigente do Partido, está nas mãos dos trabalhadores e do povo encurtar o tempo de vida deste Governo e da política de direita de que é um entusiástico executante. Para além das eleições legislativas deste ano, decisivas para que o povo faça ouvir a sua voz e a sua vontade de mudança, a luta que se trava nas empresas e nos sectores assume um valor estratégico, afirmou. Começando por destacar a grande greve realizada, nesse mesmo dia, pelos trabalhadores da Carris, Jerónimo de Sousa valorizou ainda o protesto nacional do MURPI marcado para o dia seguinte e apelou ao empenhamento de todos para que as comemorações do 25 e do 1.º de Maio constituam grandiosas jornadas de protesto e luta pela alternativa patriótica e de esquerda.
Referindo-se ao potencial transformador da luta de massas, o Secretário-geral do Partido recordou os últimos meses da ditadura, quando os metalúrgicos conquistaram o sindicato aos fascistas e todas as ameaças policiais que se seguiram. Foi, no entanto, a polícia política a ser presa pouco depois, na sequência da Revolução de Abril...
Jerónimo de Sousa referiu-se às eleições legislativas e aos meios profundamente desiguais com que a coligação PCP-PEV vai travar esta batalha, relativamente aos partidos da troika nacional. Ainda assim, garantiu, a determinação dos militantes comunistas e ecologistas e dos activistas da CDU far-se-á sentir em todo o País.
Aqui está a CDU
No almoço em Castelo Branco, também ele muito participado, o dirigente do Partido referiu-se aos objectivos «claros» que a direita apresenta para as próximas eleições, por mais que fale em mudança ou em retoma. Para Jerónimo de Sousa, o facto de o País estar hoje mais endividado, mais empobrecido, com mais desemprego e com mais emigração é a «síntese das sínteses que derrubará qualquer propaganda que afirma que o nosso País está no bom caminho e que está a dar a volta». Dizem-no e repetem-se ao mesmo tempo que estão a discutir o chamado programa nacional de reformas «que, no essencial, vem desmentir esta teoria».
Já o PS, acusou Jerónimo de Sousa, «nem é carne nem é peixe» em termos de definição de uma política alternativa. Mais parece um «caranguejo moído», acrescentou. Na opinião do Secretário-geral do Partido, o PS enfrenta uma verdadeiro drama: «está prisioneiro da sua assinatura do pacto de agressão, da política dos PEC, da sua identificação com as políticas da União Europeia». Assim, garantiu, o PS não pode «querer sol na eira e chuva no nabal», ou seja não pode afirmar querer uma política de esquerda e, ao mesmo tempo, permanecer comprometido com a política de direita.
Para construir a alternativa, garantiu Jerónimo de Sousa, «aqui está a CDU», confiante no seu colectivo militante e no reconhecimento crescente da razão da sua luta e da justeza das suas propostas.