O ultimato do Eurogrupo
A reunião de segunda-feira, 16, dos ministros das Finanças da zona euro terminou, como era previsível, sem acordo. O governo grego reiterou a sua rejeição da política de austeridade.
Eurogrupo exige continuação da política dos «memorandos»
Depois de um primeiro encontro do Eurogrupo, realizado dia 11, e da reunião do Conselho Europeu informal, que teve lugar no dia seguinte (ver nota do PCP), as atenções concentraram-se na nova reunião do Eurogrupo, decorrida na última segunda-feira, 16.
As expectativas eram à partida reduzidas, considerando as posições assumidas quer nas duas reuniões anteriores, quer em declarações posteriores de vários governantes europeus.
A reacção mais arrogante foi a do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, que, falando à rádio Deutschlandfunk na véspera do Eurogrupo, afastou praticamente a possibilidade de um acordo com a Grécia, afirmando que os gregos elegeram um governo «que se comporta de maneira irresponsável».
Da sua parte, o governo grego afirmou reiteradamente que não aceitaria uma solução de continuidade do programa de «assistência», que provocou o colapso da economia do país, criando uma situação de catástrofe social.
No domingo, 15, Gabriel Sakellaridis, porta-voz do governo helénico, admitiu a necessidade de um «plano nacional de reformas», conversado com os parceiros europeus, para resolver certos problemas económicos que se arrastam há décadas.
Mas, tal como já tinham feito o primeiro-ministro e o ministro das Finanças, Sakellaridis sublinhou que o Governo «está determinado a honrar os seus compromissos eleitorais» e «não aplicará um programa com as características dos que foram adoptados pelos governos precedentes».
Imposição inaceitável
Porém, apostados em vergar o novo governo grego, os ministros das Finanças da UE fizeram frente comum para impor a continuação do programa de resgate.
A intransigência do Eurogrupo terá feito terminar a reunião mais cedo do que o previsto, após a Grécia ter rejeitado liminarmente a proposta de continuidade.
O governo grego deveria comprometer-se em pedir a extensão do actual programa – que expira no final do mês – e concluí-lo com sucesso.
Este mesmo programa, que o governo de Alexis Tsipras repudiou, serviria de base a futuras negociações.
O ultimato foi claro: não haverá mais conversações até a Grécia solicitar a extensão do actual programa de assistência, com tudo o que ele implica. O prazo fixado termina amanhã, sexta-feira.
Em conferência de imprensa, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, sublinhou que a extensão do programa exige a Atenas uma série de «salvaguardas» e «compromissos».
Nomeadamente, as autoridades gregas devem abster-se de medidas unilaterais, não revogar nenhuma medida acordada com a troika (por exemplo, o plano de privatizações) e cumprir todas as obrigações financeiras com os credores.
«O próximo passo deve ser dado pelas autoridades gregas», afirmou Dijsselbloem, ameaçando cortar os 7200 milhões de euros que a Grécia deveria receber.
Além disso, recusou também a possibilidade de o governo de Tsipras utilizar cerca de 11 mil milhões de euros previstos para recapitalizar a banca e que não foram utilizados até ao momento.
À hora do fecho desta edição ainda não se conheciam novas iniciativas do governo grego.
No entanto, em conferência de imprensa, o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, afirmou acreditar na possibilidade de alcançar um acordo «dentro de 48 horas».
Varoufakis reiterou a vontade de encontrar um consenso que garanta uma «solução honrosa» para todos, mas advertiu que Atenas não aceita um ultimato da União Europeia. «Na história da UE, nada de bom surgiu com um ultimato», vincou o ministro.