Ensino artístico pressiona Governo

Paguem e deixem-se de «música»

Pro­fes­sores e alunos exi­giram, se­gunda-feira, 9, que o Mi­nis­tério da Edu­cação e Ci­ência pague os mon­tantes de­vidos às es­colas de en­sino ar­tís­tico, al­gumas em risco de fe­char portas.

Do­centes e dis­centes re­cla­maram a trans­fe­rência das verbas em falta

Num pro­testo sui ge­neris onde não fal­taram a mú­sica e a dança num palco im­pro­vi­sado para o efeito, do­centes e dis­centes vindos de vá­rios pontos do País con­cen­traram-se frente ao MEC, na Ave­nida 5 de Ou­tubro, em Lisboa, para re­clamar a trans­fe­rência das verbas em falta desde o início do ano lec­tivo, sem as quais as es­colas do en­sino ar­tís­tico não con­se­guem sub­sistir.

Al­gumas têm já sa­lá­rios em atraso e a mai­oria foi obri­gada a in­ter­romper os pa­ga­mentos à Se­gu­rança So­cial e Fi­nanças, acu­mu­lando multas que pre­tendem que sejam re­ti­radas. Tudo porque a tu­tela atrasou e, nal­guns casos, ins­truiu mal os pro­cessos a en­viar para o Tri­bunal de Contas, cujo visto prévio é obri­ga­tório quando es­tejam em causa va­lores su­pe­ri­ores a 350 mil euros. Acresce o atraso no pa­ga­mento dos mon­tantes re­fe­rentes ao Pro­grama Ope­ra­ci­onal Po­ten­cial Hu­mano (POPH).

Por isso a Fen­prof anun­ciou a en­trega de um pe­dido de inqué­rito à Ins­pecção-Geral da Edu­cação e Ci­ência para apurar res­pon­sa­bi­li­dades. O ob­jec­tivo é saber «quem foi o in­com­pe­tente que por três vezes en­viou os pro­cessos para o TdC», anun­ciou Mário No­gueira, se­cre­tário-geral da Fe­de­ração Na­ci­onal de Pro­fes­sores.

Isto de­pois de a mul­tidão ter can­tado «Acordai», uma das Can­ções He­róicas de Fer­nando Lopes Graça e José Gomes Fer­reira, na oca­sião di­ri­gida pelo ma­estro Vi­to­rino de Al­meida que, como o pi­a­nista Mário La­ginha ou a can­tora lí­rica Ana Paula Russo, se as­so­ciou à ini­ci­a­tiva.

Das 116 aca­de­mias e con­ser­va­tó­rios de mú­sica e dança que prestam ser­viço abran­gendo 278 con­ce­lhos de Por­tugal con­ti­nental, apenas seis não são en­ti­dades par­ti­cu­lares ou co­o­pe­ra­tivas. Daí que o en­sino ar­tís­tico es­pe­ci­a­li­zado seja as­se­gu­rado me­di­ante con­tratos de pa­tro­cínio e/​ou pro­to­colos de fi­nan­ci­a­mento pú­blico.

O valor pe­da­gó­gico e cí­vico do en­sino pro­por­ci­o­nado por aquelas es­colas é am­pla­mente re­co­nhe­cido. A mai­oria delas as­sume-se, ainda, como « polos qua­li­fi­cados de in­cen­tivo à cri­ação ar­tís­tica e à di­na­mi­zação cul­tural, tu­rís­tica e eco­nó­mica, ao nível re­gi­onal, na­ci­onal, e in­ter­na­ci­onal», lê-se no texto de uma pe­tição on­line que, até an­te­ontem, havia sido subs­crito por 6690 pes­soas.




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