Tocha da Liberdade percorre Portugal

Homenagem à resistência

O acto simbólico da recepção e acendimento da A Tocha da Liberdade e da Democracia em Portugal ocorreu, no dia 29 de Janeiro, na Praça da Liberdade, no Porto.

Em 2015 completam-se 70 anos do fim da II Guerra Mundial

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No primeiro dia, a Tocha – que chegou a Portugal a convite da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), uma das 50 organizações federadas na Federação Internacional de Resistentes (FIR) – esteve na Escola Secundária de Gondomar, onde teve lugar uma aula especial de história para duas turmas do 12.º ano. Os alunos tiveram ainda a oportunidade de visionar a reportagem sobre «O comboio dos mil», que em 2012 levou cerca de mil jovens, entre os quais uma centena de portugueses, numa visita a Auschwitz, e de participar num debate com Fátima Silva, professora, e Alexandre Almeida, que com oito anos sofreu as agruras da fome e da violência da PIDE e do fascismo. Intervenções que, para além dos factos históricos, fizeram a ligação com os perigos do mundo de hoje, que reclamam uma atitude dos jovens contra a indiferença e a passividade, para que nunca mais aconteça o nazi-fascismo.

À tarde realizou-se o acto simbólico da recepção e acendimento da Tocha na Praça da Liberdade. Ali ouviu-se canções e músicas de luta e de resistência nacional e internacional contra a guerra e o fascismo, os poemas de Armindo Rodrigues, Papiniano Carlos e Bertolt Brecht, bem declamados pela actriz Inês Leite, e uma curta intervenção de Ilda Marques, da URAP.

Por fim, no Salão do Clube dos Fenianos Portuenses, decorreu uma sessão evocativa. César Príncipe, na sua intervenção, lembrou que, também no Porto, em 1945, aclamou-se o fim da guerra e homenageou-se o Exército Vermelho, os combatentes e o povo da URSS.

Por seu lado, Viale Moutinho, escritor, trouxe à sessão elementos fundamentais sobre a história daqueles anos, tendo salientado a complacência e as responsabilidades dos governos de França, Inglaterra e EUA nos avanços dos nazis, e valorizado o papel dos comunistas, em cada um dos países ocupados, com actos de enorme heroicidade.

Ilda Marques destacou, por seu lado, o contributo da URAP – criada oficialmente em 30 de Abril de 1976 por homens e mulheres antifascistas, muitos deles tinham pertencido à Comissão de Socorro aos Presos Políticos, tarrafalistas e outros democratas – na defesa dos valores fundamentais da liberdade, dos direitos, da preservação da memória da luta antifascista, contra o branqueamento e deturpação da história.

Lutar pela paz

Do Porto, a Tocha da FIR foi para Aveiro, para a Escola Secundária de Vagos, onde decorreu, no dia 30, uma sessão-aula para alunos do 9.º e 12.º anos. Um dos oradores foi José Pedro Soares, preso político nos tempos do fascismo, resistente antifascista e dirigente da URAP.

No sábado, 31, este símbolo da paz esteve no Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira, Moita, numa cerimónia em que também foram atribuídos os prémios da época desportiva 2013/2014 do AtletisMoita – Torneio de Atletismo das Colectividades do Município. Perante uma assistência de mais de uma centena de pessoas, Encarnação Raminho, da direcção da URAP, transmitiu uma mensagem de liberdade e de paz, e falou sobre o papel da resistência na II Guerra Mundial. A iniciativa contou ainda com a intervenção de Rui Garcia, presidente da Câmara da Moita.

No seu quarto dia em Portugal, a Tocha da FIR mudou-se para Peniche, tendo feito parte das cerimónias de inauguração das exposições, que estarão patentes até ao dia 5 de Abril no Forte de Peniche, «70.º aniversário do fim da II Guerra Mundial e da vitória sobre o nazi-fascismo», da URAP, e «Auschwitz: o silêncio e o olhar», de Carlos Inácio. À tarde a Tocha deu a volta ao concelho, num périplo que contou com a participação de várias associações desportivas.

No dia 3 a Tocha rumou para Grândola e no dia 4 para Loures. A recepção na Vila Morena aconteceu na Praça da Liberdade, logo pela manhã, tendo depois passado pela Biblioteca Municipal, pela Escola Secundária António Inácio da Cruz, pala Universidade Sénior e pela Ludoteca. Ontem, o Largo Sociedade 1.º de Maio, em Santa Iria de Azóia, foi o local escolhido para acolher a Tocha. Seguiu depois para Sacavém, Bucelas, Santo Antão do Tojal e Loures.

Hoje a Tocha chega a Alhandra (Vila Franca de Xira), seguindo depois para o Barreiro (6 de Fevereiro), Seixal (7), Setúbal (9), Almada (10) e Lisboa (12).

As comemorações do final da II Guerra Mundial já levaram a Tocha da Paz a vários países da Europa. O percurso iniciou-se na Bulgária, Macedónia, Hungria, Itália, Vaticano e Israel. O itinerário terminará em Berlim no mês de Maio e, antes, passará ainda por Espanha, Áustria, República Checa e Grécia.

Exposição em Loures

«70.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial e da vitória sobre o nazi-fascismo» é o nome da exposição inaugurada no dia 28, no edifício 4 de Outubro, em Loures. A mostra, promovida pela União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), com a colaboração da Câmara de Loures, tem como objectivo lembrar a passagem dos 70 anos da Segunda Guerra Mundial e homenagear os que lutaram e perderam a vida a libertar a humanidade do «pesadelo» nazi-fascista.

A cerimónia de inauguração contou com a presença de Bernardino Soares, presidente da Câmara de Loures, que agradeceu o desafio proposto pela URAP à autarquia, o qual «foi aceite com profissionalismo e criatividade, permitindo enquadrar a exposição neste espaço e com a dignidade que merece».

Bernardino Soares explicou que a Câmara de Loures, como entidade próxima da população, tem «necessidade de se envolver em questões desta importância para a sociedade».

«O mundo não está livre de guerras nem de conflitos», continuou. «Temos vindo a assistir à ascensão de forças de cariz nazi-fascista, que vão reaparecendo na sociedade e tentando normalizar a sua presença, o que não podemos tolerar». «Esta é uma exposição de grande actualidade e que nos fala a verdade, com factos que não podem ser escondidos. Irá ser muito útil para as escolas, colectividades e para todos os que a visitam e queiram envolver-se nesta iniciativa», concluiu.

Marília Cabral, coordenadora da URAP, agradeceu a colaboração da Câmara, que «agarrou a ideia com entusiasmo e solidariedade», considerando a exposição como um alerta: «A história não se repete, mas os ensinamentos que ela nos dá mostram que só os povos estão em condições de defender a paz».

A exposição, cuja inauguração contou ainda com a presença do vice-presidente da Câmara, Paulo Piteira, estará patente ao público até 12 de Fevereiro.




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