Mineiros polacos defendem postos de trabalho

Greve mantém minas abertas

Após dez dias de greve, o governo polaco cedeu às exigências dos mineiros, comprometendo-se a manter abertas as quatro minas de carvão condenadas a fechar.

Crise mineira na Polónia ameaça toda uma região

O encerramento de quatro das 14 minas da Kompania Weglowa, no Sul da Silésia, foi anunciado no final de 2014 pelo governo liberal-católico, no âmbito de mais uma reestruturação do sector, ainda controlado maioritariamente pelo Estado.

Em face da destruição iminente de cinco mil postos de trabalho directos, os operários responderam com a greve.

A 7 de Janeiro, cerca de mil mineiros decidiram barricar-se no interior da mina de Brzeszcze. A greve estendeu-se rapidamente às restantes minas da companhia pública, bem como a outras privadas.

No entanto, o braço-de-ferro continuou. Com o sector paralisado, o parlamento, aprovou, dia 14, o projecto de lei que determinava o fecho definitivo das quatro explorações.

Em causa está o futuro da Kompania Weglowa, uma empresa do Estado polaco que é simplesmente o maior produtor europeu de carvão mineral, empregando directamente cerca de 64 mil pessoas.

Uma sondagem mostrou que 68,5 por cento da população apoiavam os grevistas, contra apenas 15 por cento que se expressaram contra a greve.

Entretanto, os sindicatos endureceram o tom e ameaçaram convocar uma greve geral em solidariedade com os mineiros.

Com eleições legislativas previstas para Outubro, o governo da senhora Ewa Kopacz (Plataforma Cívica) viu-se obrigado a recuar, suspendendo, dia 17, o plano de encerramento.

Para chegar a acordo com os sindicatos, anunciou uma nublosa aquisição das minas pelos grupos públicos de energia, mas todo o sector permanece sob ameaça.

A Armadilha do mercado

 

Das cem minas que existiam na Silésia até ao derrubamento do regime socialista, em 1989, hoje restam 35, parte das quais em situação económica deficitária.

Após as reestruturações do sector, nos anos 90, e das privatizações subsequentes, mais de 300 mil postos de trabalho foram extintos, mas as minas ainda empregam directamente perto de 100 mil operários e são a âncora da economia da região.

O horizonte está porém ensombrado devido à concorrência das importações baratas e ao aumento dos custos da produção nacional.

Segundo números do governo, os custos de produção aumentaram cinco por cento em 2013, ao mesmo tempo que o preço mundial do carvão caiu 13 por cento.

Deste modo tornou-se muito mais barato importar carvão do que produzi-lo localmente, para gáudio dos importadores.

Em consequência, a Kompania Weglowa tem vindo a acumular prejuízos consideráveis, abeirando-se da falência, o que dá argumentos de peso aos defensores da privatização e do encerramento das explorações não rentáveis.

Há porém uma contradição que emerge da fria lógica do mercado.

Para manter o crescimento da economia (3,5 por cento em 2014), resultante em parte da deslocalização de indústrias alemãs, o país precisa de aumentar a produção de energia.

Sucede que cerca de 90 por cento da electricidade e do aquecimento urbano são gerados por centrais a carvão.

A extinção planeada deste sector mineiro, para além de condenar toda uma região ao desemprego, aumentará a dependência energética da vizinha Rússia, donde já provêm 80 por cento do gás consumido e o grosso do carvão importado, e contra a qual o governo polaco desenvolve uma política cada vez mais hostil.




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