Lógica de classe
Um deputado da maioria afirmou recentemente que o PCP defende opções ideológicas enquanto o Governo defende as opções lógicas. O trocadilho é engraçado e eficaz, remetendo o ouvinte para um mundo onde o PCP tomaria opções por teimosia e cegueira enquanto o Governo o faria ao serviço do interesse nacional e da lógica das coisas.
Mas o que funciona como trocadilho pode ser facilmente virado contra o trocadilhador. Neste caso, o autor começa por reconhecer um dado muito importante: aquilo que o PCP defende e aquilo que o Governo defende são opções. Um e outro defendem opções. Diferentes, as mais das vezes antagónicas, mas opções.
E por que optando, optam antagonicamente PCP e Governo? Porque as suas opções servem interesses de classes antagónicas.
E desentrocadilhando o trocadilho, quer as posições do PCP quer as do Governo são lógicas. Partem é de premissas diferentes e servindo interesses antagónicos. E sempre que coerentes com a perspectiva de uma classe, são ambas igualmente ideológicas, e a lógica das suas propostas brilha à luz da ideologia da classe cujos interesses profundos serve.
Ora a luta política trava-se em terreno minado, pois a ideologia dominante é a ideologia da classe dominante, e essa classe é o grande capital financeiro e monopolista. E é típico das ideologias dominantes disfarçarem-se de não ideologia.
Do lado do PCP está no entanto uma realidade ainda mais poderosa: as suas opções, progressistas porque correspondem a um caminho de superação de um modo de produção historicamente condenado, correspondem aos interesses profundos dos trabalhadores e do povo, mesmo quando isso não é plenamente perceptível no plano do imediato.
E hoje essa percepção até tende a tornar-se mais imediata, com cada medida do Governo, cada opção lógica para o capital monopolista, a chocar-se mais perceptivelmente com os interesses de classes e camadas não monopolistas, gerando resistências que devem ser potenciadas, organizadas e elevadas a patamares superiores de organização e consciência.
Que é como quem diz: a luta é o caminho – lógico – dos trabalhadores e do povo! E nessa luta renova-se e reforça-se o Partido que é «no movimento presente o futuro do movimento».