Sindicatos contestam triunfalismo do governo
As Comisiones Obreras (CO) e a União Geral de Trabalhadores (UGT) coincidem na crítica ao executivo liderado por Mariano Rajoy, segundo o qual o total de desempregados em Espanha, em 2014, se cifrou em quatro milhões 447 mil pessoas. Menos 253 mil 627 trabalhadores do que em 2013 e a maior descida anual desde 1998, alega o governo de Madrid, cujos dados e apreciação triunfante são, no entanto, contestados.
As centrais sindicais afirmam que o desemprego real ascende a 5,4 milhões de trabalhadores. As CO sustentam a sua posição lembrando o elevado número de pessoas que desistiu da inscrição nos centros de emprego (cerca de 50 por cento dos inscritos não aufere já qualquer prestação social, o que somado às escassas oportunidades apresentadas avoluma os factores desmotivadores) ou que foram forçadas a emigrar.
Acresce a descida da taxa oficial em resultado da ocupação a tempo parcial, o que, aliviando as estatísticas, não resolve o problema. E a este respeito as Comisiones Obreras detalham mesmo que dos quase 17 milhões de contratos firmados o ano passado, só oito por cento foram sem termo, e que a maioria dos empregos são a tempo parcial.
A UGT, por seu lado, concorda com a apreciação das CO sobre o emprego de «má qualidade» e destaca que os indicadores de Dezembro são demonstrativos não apenas desse facto, mas da persistência de fenómenos sazonais na criação de postos de trabalho.
A UGT alertou ainda para o empobrecimento e para o aumento das desigualdades sociais em consequência dos baixos salários auferidos pelos trabalhadores e do desemprego, este último no topo das preocupações da esmagadora maioria da população, revelam todos os estudos e inquéritos realizados no território.