Aumentos insuportáveis
Os moradores do Bairro Amarelo, em Almada, concentraram-se na sexta-feira frente ao Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) para contestarem os aumentos de rendas, que chegam aos mil e três mil por cento.
Na iniciativa, Helena Abegão, da Comissão de Moradores, lamentou que a nova lei de renda apoiada, publicada naquele dia em Diário da República, continue a contabilizar os rendimentos brutos e não os líquidos das famílias. «Há ordenados e reformas congelados no bairro, há desemprego», notou, em declarações à Lusa, a responsável, referindo terem sido recolhidas «mais de duas mil assinaturas» de moradores contra a fórmula de aumento de rendas.
No local, os habitantes seguravam uma faixa, na qual se lia «os moradores dos bairros sociais não suportam estas rendas» e gritaram palavras como «aumento das rendas, não; tiram-nos o pão» e a «renda quer impor a vergonha nacional».
Após uma reunião com um vogal do IHRU, Mário Oliveira, da Comissão dos Moradores do Bairro Amarelo, contou que foi dito que competia àquele instituto aplicar a lei. Mário Oliveira acrescentou que neste momento teme que venham a existir «tensões sociais graves», já que a aplicação da lei para aumentar as rendas «não tem em conta os problemas, a precariedade do trabalho, as despesas com saúde e a degradação do bairro».
O IHRU gere os bairros sociais da responsabilidade do Poder Central e com base no regime jurídico das rendas apoiadas notificou os seus inquilinos dos novos valores das rendas a aplicar a partir de 1 de Dezembro.