A luta dos comunistas

Manuel Rodrigues (Membro da Comissão Política do PCP)

No Avante! de 6 de Novembro, como é próprio dum jornal que é o órgão central do PCP, com a sua natureza de classe, publicaram-se diversos artigos, temas, notícias, argumentos, reportagens com um destaque central para a luta e organização dos trabalhadores e do povo, e do PCP como seu Partido de vanguarda. Mereceram igualmente atenção, no mesmo plano de classe, acontecimentos nacionais e internacionais e leituras e análises sobre questões da actualidade.

O PCP tem como objectivos supremos o socialismo e o comunismo

Sobre elas recaiu, como habitualmente, um «silêncio de chumbo» por parte dos comentadores e dos órgãos da comunicação social dominante, na inglória tentativa de fingir que o Avante! não existe, ou, se existe, não é lido. No mesmo Avante!, no entanto, foi publicado um esclarecimento do PCP, em resposta à campanha de intoxicação da opinião pública desencadeada a pretexto da passagem de 25 anos sobre a chamada «queda do muro de Berlim» e vários foram os órgãos da comunicação social dominante a «soltar» o seu ódio de classe e anticomunismo visceral.

Por que terão reagido assim a este esclarecimento do PCP, se, com a «queda do muro», como na altura proclamavam, o «comunismo morreu» e, com a sua morte, chegámos ao «fim da história»? Para quê, então, esta pomposa e mediatizada celebração com campanha anticomunista de tal envergadura?

Caricaturando, para desvalorizar a independência e coerência do PCP, estes porta-vozes da ideologia dominante pretenderam, sobretudo, atingir os valores, o ideal e o projecto por que lutam os comunistas e que, em seu entender, deveriam ter ficado soterrados sob os escombros do «muro de Berlim». Percebe-se, pois, a sua indignação quando, ao contrário do anunciado «fim da história», o que vemos, hoje, é um mundo mais injusto e inseguro, é o aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, é uma intensa luta de classes a mostrar o incessante devir da própria história, a actualidade e necessidade do ideal e do projecto comunistas.

E, nessa luta de classes, o PCP, como partido político da classe operária e de todos os trabalhadores, assume, obviamente, o seu papel em coerência com essa natureza e identidade, de que são características principais: ser um partido completamente independente dos interesses, da ideologia, das pressões e ameaças das forças do capital; partido da classe operária, dos trabalhadores em geral, dos explorados e oprimidos; partido com uma vida democrática interna, uma única direcção central e uma única orientação geral, expressando-se esta democracia na direcção e no trabalho colectivos, no debate interno e na eleição dos órgãos dirigentes aos mais diversos níveis; partido simultaneamente internacionalista e defensor dos interesses do nosso país; partido que define como seu objectivo a construção de uma sociedade sem explorados nem exploradores, uma sociedade socialista; partido portador de uma teoria revolucionária, o marxismo-leninismo, que não só torna possível explicar o mundo, como indica o caminho para transformá-lo.

O PCP continua

A pretexto da chamada «queda do muro de Berlim», o que incomoda o capital é o facto de o PCP continuar fiel a estes princípios; fiel ao ideal, projecto e valores da Revolução de Outubro; continuar a luta pela projecção dos valores de Abril no futuro de Portugal. O que os incomoda e perturba é que o PCP, com os trabalhadores e o povo, não só se bata hoje pela demissão do Governo, mas exija a ruptura com a política de direita que, desde há 38 anos, PS, PSD e CDS vêm prosseguindo. O que os preocupa é a luta do PCP por uma política patriótica e de esquerda, pela Democracia Avançada – os valores de Abril no futuro de Portugal.

O que verdadeiramente os assusta e inquieta é a própria existência de um Partido que não só materializa a possibilidade de transformação da sociedade, mas orienta a sua acção para os objectivos supremos da construção em Portugal do socialismo e do comunismo. O que os incomoda é o facto do PCP não só não juntar a sua voz ao coro dos que glorificam o capitalismo e o seu rasto de exploração, opressão e guerra, mas continuar a luta pela emancipação do homem de todas as formas de exploração, pela liberdade e a democracia de Abril (que, mais do que qualquer outro, foi o Partido que ajudou a construir), que tem presente na acção quotidiana e no seu projecto de futuro.

Bem podem continuar a proclamar o fim da história. A intensa luta de classes que vivemos mostra a validade da afirmação do PCP de 1990: «anunciam o fim da história aqueles de quem a história anuncia o fim».

Esta é a luta dos comunistas e não há muros que a detenham.

 



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