Juncker comprometido
Os deputados do PCP no Parlamento Europeu exigem que o presidente da Comissão Europeia compareça no hemiciclo para explicações sobre o escândalo fiscal do Luxemburgo.
Deputados do PCP convocam Presidente da Comissão
Em conferência de imprensa, realizada dia 6, o deputado do PCP, João Ferreira, considerou que «a existência de acordos fiscais secretos durante oito anos entre o governo luxemburguês e 340 empresas multinacionais», comprovam «o profundo comprometimento do ex-primeiro ministro luxemburguês e actual presidente da Comissão Europeia com o grande capital transnacional».
O deputado referia-se a notícias e documentos tornados públicos na imprensa internacional, dando conta de «contabilidades paralelas, estruturas empresariais e evasão fiscal que significam um gigantesco roubo de receita fiscal para vários estados».
Tendo já endereçado perguntas à Comissão Europeia e ao Conselho solicitando esclarecimentos sobre este caso e insistindo na «questão central da eliminação dos paraísos fiscais», os deputados do PCP consideram que «não existem condições políticas para que Jean Claude Juncker continue a exercer o cargo para que foi nomeado».
Neste sentido, o grupo GUE/NGL, no qual se integram os deputados do PCP, já está a preparar uma moção de censura a ser discutida no Parlamento Europeu.
Crise do sistema
Como também salientou João Ferreira, estas revelações confirmam mais uma vez que «a crise que a UE vive resulta do funcionamento do sistema a que está associada e a que dá corpo e, bem assim, das políticas que alimentam a concentração e centralização de capital e o domínio do capital financeiro sobre a economia e o poder político».
«Estas revelações», concluiu, «vêm dar ainda mais razão à exigência e à luta pela ruptura com a submissão do País às políticas e orientações da UE e pela afirmação de uma política soberana, em defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País, por uma política patriótica e de esquerda, por um Portugal com futuro numa Europa de paz, cooperação e progresso e justiça social».