Italianos contra reforma laboral de Renzi

Trabalho com direitos!

Um mar de gente desfilou, dia 25, na capital italiana, em protesto contra a reforma das leis laborais, proposta pelo governo do Partido Democrático, que visa facilitar os despedimentos.

CGIL admite greve geral para mudar políticas

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«Queremos trabalho para todos e trabalho com direitos. Manifestamo-nos por aqueles que não têm trabalho, que não têm direitos, por aqueles que sofrem e não têm nenhuma certeza no futuro», declarou Susana Camusso, secretária-geral da CGIL, principal central sindical italiana que promoveu a jornada nacional.

Neste primeiro protesto de massas contra as políticas do governo de Matteo Renzi, líder do Partido Democrático (PD), Camusso manifestou a determinação da CGIL de combater as políticas anti-sociais: «Vamos para a greve e mobilizaremos as nossas forças para mudar as políticas do governo», disse a dirigente sindical.

A pretexto de estimular a criação de empregos, o chefe do governo apresentou um projecto de lei que facilita os despedimentos e reduz os direitos e garantias dos trabalhadores nos primeiros anos de contrato.

O projecto, designado «Jobs Act», foi aprovado dia 9 no Senado italiano, mas deve agora ser debatido na câmara dos deputados, onde se prevê que surjam divergências na bancada da maioria.

Vários deputados do PD, com posições contrárias ao rumo neoliberal de Renzi, fizeram questão de participar na manifestação da CGIL, afirmando-se como opositores à reforma laboral.

Com efeito, a proposta dividiu o partido ao pretender demolir o célebre artigo 18.º do Estatuto dos Trabalhadores, que proíbe os despedimentos sem justa causa e confere o direito a indemnizações ou à reintegração do trabalhador.

Aprovado em 1970, o Estatuto dos Trabalhadores é um símbolo da esquerda italiana, que Berlusconi já havia tentado derrubar em 2002. Mas foi derrotado pela luta. Uma greve geral e uma manifestação com mais de três milhões de pessoas obrigaram Il Cavaliere a recuar.

Derrotar Renzi

Hoje, porém, é Renzi que se mostra indiferente e altivo face às críticas e à mobilização dos trabalhadores que lhe deram o voto.

«Tenho grande respeito por esta manifestação, mas a época em que uma manifestação podia bloquear o governo pertence ao passado», declarou o primeiro-ministro «democrata».

Opinião diferente têm as centenas de milhares de trabalhadores (mais de um milhão segundo a CGIL), que cruzaram em dois desfiles o centro de Roma, sob o lema «Trabalho, Dignidade, Igualdade, para Mudar a Itália».

A meio do dia encheram a Praça San Giovanni, onde se viam panos apelando à greve geral, forma de luta que a CGIL não exclui.

A presença massiva de jovens, os seus cartazes e palavras de ordem reflectiam as razões do seu enorme descontentamento: a taxa de desemprego juvenil eleva-se a 44 por cento, o emprego precário sem direitos está generalizado nas novas gerações de trabalhadores italianos, o ensino público degrada-se à força de sucessivos cortes orçamentais.

Para a CGIL, a mudança do país e a criação de emprego exige uma mudança da política económica – isso tem de ser feito com os trabalhadores e não contra eles.




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