Uma vitória popular
Milhares de pessoas participaram no domingo, 28, em manifestações realizadas por toda a Espanha, no âmbito do Dia de Ação Global pela Despenalização do Aborto.
Rajoy deixa cair projecto mas tenta via constitucional
A jornada inicialmente marcada como mais um protesto contra a retrógrada «lei Gallardón» transformou-se numa ocasião de festa e congratulação uma vez que, na terça-feira anterior, o presidente do governo, Mariano Rajoy, anunciou a retirada do controverso anteprojecto de diploma.
Em Madrid, mesmo debaixo de chuva, cerca de três mil manifestantes celebraram a derrota do projecto com cânticos e consignas como «Sim, podemos» ou «Gallardón ficou sem o cadeirão», em alusão à demissão do ministro da Justiça que impulsionou a reforma.
Mas apesar da clara vitória da luta popular, as organizações e forças políticas que defendem o direito à interrupção voluntária da gravidez permanecem vigilantes, já que o governo de direita procura concretizar as suas intenções por outras vias.
Uma delas é o recurso apresentado ao Tribunal Constitucional contra a lei de 2010 que permite o aborto sem restrições até às 14 semanas de gestação. Para a Coordenadora Feminista há o risco de o Tribunal Constitucional vir agora impor alterações à lei, na linha dos objectivos do Partido Popular.
Outra é a introdução na actual lei da obrigatoriedade de autorização dos pais para menores com 16 e 17 anos que pretendam interromper a gravidez. O governo anunciou ainda um plano de «protecção à família» que deverá ser apresentado até ao final do ano.
A marcha terminou com a leitura de um manifesto em defesa do aborto «livre, seguro e gratuito», que classificou a retirada da reforma como «uma vitória clara e rotunda do movimento feminista, da sociedade civil e de todos os agentes sociais que se mobilizaram em defesa do direito das mulheres decidirem sobre a sua maternidade e projecto de vida».
Seguiu-se uma dança colectiva, cuja canção e passos da coreografia foram divulgados durante semanas nas redes sociais, permitindo a participação de todos.
Além da capital, realizaram-se manifestações em mais 37 cidades de Espanha, nomeadamente em Barcelona, Sevilha, Bilbao, Valladolid, Alicante, Málaga, Corunha ou Vigo.