Sem desculpa

Carlos Gonçalves

Tamanho é o arraial criminal-mediático de figurões dos partidos da política de direita e tão grande o festim de populismo e eleitoralismo que até parece estarmos à beira de eleições. Feito o desconto desta «cena», facto é que seria justo e positivo que a Assembleia estivesse dissolvida, o Governo demitido e o País mais próximo da alternativa patriótica e de esquerda. Mas não é bem o caso e teremos de alargar a luta para interromper o desastre e mudar de rumo, de uma vez por todas.

Este arraial tem causas profundas na política de direita, que com este Governo atinge efeitos nunca vistos, no agravamento da situação, na dívida e na dependência externa, no desinvestimento, no retrocesso de índices de desenvolvimento, na regressão e injustiças sociais, na qualidade de vida dos trabalhadores e do povo, na democracia económica, social, cultural e política. Daqui resulta um clima de impunidade, de mentira e manipulação, de degradação das instituições e da acção dos barões da política de direita.

Neste quadro, a «guerra civil» no PS é factor de aceleração desta degenerescência, porque duplicou a sua presença nos media, numa sucessão de mentiras e branqueamentos de responsabilidades pela situação do País, de juras falsas e de manobrismos sem escrúpulos para assegurar a alternância de continuidade desta política de desastre nacional – é o caso das propostas de Seguro de batota eleitoral, ou do namoro descarado de Costa ao PSD/Rio.

Com este pretexto, todos os dias o Governo dá mais um passo na «campanha eleitoral», na mentira e ocultação da realidade, nas promessas fantasiosas, nas desculpas esfarrapadas de ministros, que há muito deviam estar despedidos – acompanhados de todo o Governo. Todos os dias, mais falsidades do CDS/PPortas, que insiste nos contribuintes e reformados, mais «propostas fracturantes» da JSD, e, como cogumelos, mais proto-partidos para mistificar, diminuir o impacto político-eleitoral da luta e do descontentamento e levar água ao moinho do PS e/ou do PSD. Todos eles, sem desculpa nem perdão, procurando travar o difícil mas inexorável caminho da alternativa patriótica e de esquerda, da democracia avançada e do socialismo em Portugal.




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