Aquilo de que o País precisa
«O país precisa de compromissos políticos», perora António Costa, candidato a chefe do PS, em entrevista no Expresso desta semana.
Costa desenvolvia a tese de que é adversário de Rui Rio em batalhas futuras, na modesta atitude (que só lhe fica bem!) de «eu gostava mesmo era de alguém que estivesse à minha altura».
Em mais um episódio do jogo de sombras em que se encontra envolvido e em que tenta parecer diferente quer de Seguro, quer do actual Governo, embora diga exactamente as mesmas coisas e proponha as mesmas receitas, à pergunta sobre se faria coligações com o dito adversário, Costa sublinha «as provas dadas» de Rio e revela a «estima mútua» entre ambos.
Confesso que foi aqui que a entrevista me deu um nó cego. Por um lado Costa afirma que «o país anseia por novos protagonistas», não se vislumbrando, portanto, como cabem aqui Costa e Rio, ambos na política há dezenas de anos, amarrados, nos seus partidos, nos governos de que fizeram parte ou apoiaram, na Assembleia da República e nas autarquias locais, à política de direita que nos trouxe até à situação em que nos encontramos. Por outro, Costa, que faz grandes floreados sobre a necessidade de trazer a esquerda para a governação, fala de compromissos, mas com um putativo líder da direita. Que aliás tem provas dadas, sim senhor. Que o diga o povo do Porto, os trabalhadores da autarquia e os comunistas da cidade que, ao longo de 12 anos, provaram da sua arrogância e prepotência. Mas Costa acrescenta ainda que os tais «novos protagonistas» devem acabar com «este ciclo de vistas curtas», referindo-se, eventualmente à também sua declaração de que o Tratado Orçamental deve ser aplicado bem, numa espécie de sucedâneo da «austeridade inteligente» de Seguro.
Perante um tal conjunto de disparates, não resta senão reafirmar que, guerrilhas internas do PS à parte, o que o País precisa não é de mais do mesmo, consubstanciado nos Costas, nos Seguros ou nos Rios, ou seja no PS e no PSD, não é de estimas amassadas na partilha das opções a favor dos mesmos, não é de compromissos como os que os levaram a todos à assinatura do pacto com a troika.
O que o País precisa e o que o povo anseia, é a ruptura com esta política, uma alternativa política patriótica e de esquerda.