Conflitos regionais aumentam
fluxo de imigrantes

Travessia para a morte

Mais de 250 pes­soas mor­reram, dia 22, junto à costa da Líbia na sequência do nau­frágio da em­bar­cação em ma­deira que se di­rigia para Itália.

Fluxo de re­fu­gi­ados para Itália au­mentou 500%

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A con­firmar-se o nú­mero de ví­timas, esta foi a maior tra­gédia desde o nau­frágio em Ou­tubro do ano pas­sado junto à ilha de Lam­pe­dusa, quando per­deram a vida 366 imi­grantes, oriundos do Norte de África.

Apesar dos riscos, pra­ti­ca­mente todos os dias se re­gistam novos casos de em­bar­ca­ções pre­cá­rias que pro­curam al­cançar águas de países da União Eu­ro­peia.

No do­mingo, 24, as au­to­ri­dades ita­li­anas en­con­traram os ca­dá­veres de 18 imi­grantes numa lancha pneu­má­tica em que se­guiam mais 73 pes­soas

Na se­gunda-feira deram conta de outro res­gate de 360 pes­soas nau­fra­gadas perto da costa.

Ao todo, só em quatro dias, a ma­rinha ita­liana so­correu quatro mil imi­grantes, que vi­a­javam a bordo de vá­rias em­bar­ca­ções ten­tando atra­vessar o canal da Si­cília, a mai­oria oriundas da Líbia.

Desde o início do ano, cerca de 110 mil imi­grantes lo­graram al­cançar as costas de Itália, muitos foram res­ga­tados pelos na­vios pa­trulha tran­sal­pinos que in­te­gram o pro­grama «Mare Nos­trum».

De acordo com dados da Agência Eu­ro­peia de Fron­teiras (Frontex), só na costa ita­liana o fluxo de imi­grantes au­mentou 500 por cento no pri­meiro se­mestre.

A di­mensão do fe­nó­meno levou o pri­meiro-mi­nistro ita­liano, Matteo Renzi, a re­clamar uma po­lí­tica eu­ro­peia para dar res­posta ao pro­blema. O go­verno do país tem sa­li­en­tado vá­rias vezes que as ope­ra­ções de pa­trulha custam di­a­ri­a­mente 300 mil euros, con­si­de­rando que cabe às au­to­ri­dades eu­ro­peias fi­nan­ciar a vi­gi­lância no Me­di­ter­râneo e o aco­lhi­mento dos imi­grantes.

Numa es­pécie de ul­ti­mato, o mi­nistro do In­te­rior, An­ge­lino Al­fano, de­clarou, dia 15, que o pro­grama «Mare Nos­trum» não po­derá con­ti­nuar para além de Ou­tubro pró­ximo, de­vendo ser as­su­mido pela Frontex.

Fugir à guerra

Também no fim-de-se­mana, a guarda cos­teira grega anun­ciou o re­gaste de mais de meio mi­lhar de imi­grantes em di­fe­rentes pontos da costa ori­ental, no mar Egeu.

O au­mento ex­po­nen­cial do fluxo de imi­grantes tem como causa di­recta os con­flitos no Iraque, na Síria, na Líbia e na Faixa de Gaza, que geram cen­tenas de mi­lhares de re­fu­gi­ados.

A tra­vessia ma­rí­tima é para muitos a der­ra­deira etapa na busca de um porto se­guro. Porém, os que so­bre­vivem ao mar, ra­ra­mente são re­ce­bidos do outro lado de braços abertos.

A Grécia, por exemplo, barrou a che­gada de imi­grantes por terra com a cons­trução de uma vala ao longo de mais de dez qui­ló­me­tros na fron­teira com a Tur­quia.

Me­dida se­me­lhante foi de­ci­dida em 2013 pelo go­verno búl­garo, que anun­ciou a cons­trução de uma ve­dação com três me­tros de al­tura ao longo de 30 qui­ló­me­tros, na fron­teira com a Tur­quia, para travar a en­trada de re­fu­gi­ados pro­ve­ni­entes da Síria.

O re­sul­tado destes obs­tá­culos ter­res­tres foi o au­mento das pe­ri­gosas tra­ves­sias ma­rí­timas.

A hos­ti­li­dade das au­to­ri­dades gregas em re­lação aos re­fu­gi­ados tem de resto sido alvo de crí­ticas de or­ga­ni­za­ções não-go­ver­na­men­tais.

A Am­nistia In­ter­na­ci­onal, o Alto Co­mis­sa­riado das Na­ções Unidas para os Re­fu­gi­ados e o Con­selho Grego para os Re­fu­gi­ados de­nun­ci­aram vá­rios casos em que as au­to­ri­dades gregas obrigam as em­bar­ca­ções a re­gressar aos pontos de par­tida ou si­tu­a­ções em que os imi­grantes são ex­pulsos do país sem que te­nham opor­tu­ni­dade de pedir asilo, apon­tando ainda as con­di­ções de­gra­dantes nos cha­mados «cen­tros de de­tenção para es­tran­geiros».

 



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