Merkel apupada na Galiza
A polícia espanhola recorreu a bastões para dispersar uma manifestação com centenas de pessoas que protestavam contra a visita da chanceler alemã Angela Merkel a Santiago de Compostela, onde se encontrou, na segunda-feira, 25, com o seu homólogo espanhol.
Enquanto a chanceler alemã e o presidente do governo espanhol estavam reunidos, cá fora centenas de pessoas protestavam contra as políticas de austeridade.
De acordo com testemunhas, a polícia isolou o local, impedindo o acesso dos manifestantes que tentaram forçar a entrada na Praça do Obradoiro, frente à catedral de Santiago de Compostela.
A polícia usou da força para dispersar a multidão, derrubando vários manifestantes, nomeadamente o porta-voz municipal do Bloco Nacionalista Galego (BNG), que foi atingido com um bastão.
Em declarações à imprensa, o porta-voz parlamentar do BNG, Francisco Jorquera, condenou o «autêntico cerco policial», que visou silenciar os protestos contra as políticas do presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, e da chanceler alemã, Angela Merkel.
Os manifestantes acabaram por desmobilizar depois do meio-dia, gritando «O capitalismo é terrorismo». Antes tinham entoado palavras de ordem como «Não pode ser, os trabalhadores estão na prisão e os corruptos no poder» e «Mais trabalho e menos polícia».
Durante o protesto ouviram-se também palavras de ordem em alemão e viu-se um cartaz empunhado por emigrantes que trabalharam na Alemanha com a inscrição: «A Europa deu-nos trabalho e a Espanha rouba-nos as poupanças».
De acordo com o representante do governo na Galiza encontravam-se no local cerca de 300 agentes da polícia.
O protesto foi convocado pela Confederação Intersindical Galega (CIG) e pelo Bloco Nacionalista Galego.