Não ao terror sionista!
No momento em que este artigo é escrito, a criminosa ofensiva de Israel em Gaza prossegue sem fim à vista. A reacção fascista e a social-democracia israelitas, com Netanyahu e Shimon Peres à cabeça, conduzem uma fria e premeditada operação de terror que, na sequência de tantas outras, prossegue o objectivo de expulsar, massacrar e escravizar um povo que recusa render-se, e construir o «grande Israel» reclamado pela ideologia sionista da superioridade racial do povo judeu.
A solidariedade com a Palestina alarga-se na Europa e no Mundo
LUSA
À primeira vista nada de qualitativamente novo. Após tantos anos de impunidade, de afronta do direito internacional, de espezinhamento dos direitos humanos mais elementares, de pseudo «negociações de paz» – que nem libertam os milhares de prisioneiros palestinianos, nem asseguram o regresso dos refugiados, nem impedem novos colonatos, nem abrandam a violência da ocupação – quase nada já surpreende no comportamento criminoso de Israel que, aliás, os grandes órgãos de informação procuram banalizar.
Mas sim, há algo de novo. Na arrogância, no cinismo, no propósito de provocar destruição, sofrimento e morte numa dimensão tal que gere o terror e o desespero capaz de finalmente impor a rendição. Na afirmação de força, no culto da violência e no desprezo pela vida que são características do nazifascismo. O comportamento criminoso do Estado de Israel atingiu tal nível que pode considerar-se pronúncio de crimes ainda maiores, nomeadamente contra a Síria e o Irão, que têm sido repetidamente ameaçados de agressão militar. Algo de novo também no grau de conivência e apoio expresso das grandes potências capitalistas, que não só assistem insensíveis ao massacre que diariamente se desenrola sob os nossos olhos, como o justificam em nome do «direito de Israel a defender-se», sem mesmo acrescentar uma palavra que seja quanto às raízes do problema que reside no espezinhamento dos direitos nacionais do povo palestiniano.
Algo de novo, por fim, quanto ao quadro internacional em que se desenvolve a ofensiva de Israel, com a generalização de focos de tensão e de guerra; a escalada de confrontação com a China, a Rússia e outros países que o imperialismo quer afastar da sua estratégia de domínio planetário; o avanço do fascismo na Ucrânia e a gravíssima situação daí decorrente; a ofensiva de recolonização em África; as ambições expansionistas do Japão. E tudo isto no quadro da persistência da crise capitalista para a qual os círculos mais reaccionários procuram saída através do fascismo e da guerra. As recentes notícias que desmentem a propaganda sobre a recuperação da economia dos EUA (com a revisão em baixa pelo FMI do crescimento do PIB para 1,7%, a contestação da sua proclamada autosuficiência energética, multiplicação dos ataques à hegemonia do dólar) merecem particular atenção. É um quadro que torna a escalada de terror sionista particularmente perigosa para os povos da região e para a paz.
Resistência e solidariedade
Mas a invasão não é um passeio para as tropas israelitas. Há resistência da população de Gaza, com grandes demonstrações de dor e protesto popular e com baixas entre as forças invasoras. Há grandes manifestações contra o ocupante em Ramallah e noutras localidades da Cisjordânia apesar de reprimidas com violência. Mesmo do coração da besta, em Tel Aviv, chegam notícias de manifestações contra a guerra, apesar de proibidas. O movimento de condenação de Israel e de solidariedade com a causa palestiniana tende a alargar-se na Europa e por todo o mundo. Cresce a indignação e multiplicam-se as tomadas de posição de intelectuais prestigiados e é significativo que a Comissão de Direitos Humanos da ONU, com o único voto contra dos EUA, tenha aprovado uma resolução que condena a agressão israelita.
É este movimento de condenação internacional dos crimes de Israel e de solidariedade com o povo palestiniano que é necessário alargar também em Portugal e, na sequência das acções já realizadas, nomeadamente em Lisboa e no Porto, exigir do Governo português uma posição de inequívoca condenação da agressão israelita e em favor da aplicação das resoluções da ONU que obrigam à retirada de Israel dos territórios árabes ocupados em 1967 e o reconhecimento do direito do povo palestiniano ao seu próprio Estado soberano.
É uma indignidade e uma afronta aos valores de Abril e à Constituição que o Governo não tenha uma única palavra de condenação dos crimes de Israel e continue vergonhosamente submisso aos EUA e à União Europeia, para quem Israel sempre foi e continua a ser ponta de lança contra o movimento de emancipação nacional e social dos povos árabes e para o domínio do Médio Oriente.