Cobardes, isolados e determinados
Demonstrando a sua falta de coragem e a sua consciência da total falta de apoio às políticas com que vão torturando o País, o Governo português já escolhe os momentos para o anúncio das suas decisões com um único objectivo: conseguir impor essas decisões sem que os interessados tenham qualquer possibilidade real de discutir, conhecer e mobilizar. É o reconhecimento da completa ausência de força do Governo, que só se move pela firme determinação em concretizar as tarefas que o capital lhe destinou.
A realização do mundial de futebol e o gigantesco circo que ocupou a comunicação social durante quase um mês foi o momento escolhido para avançar com as leis anti-laborais, na expectativa de que a maioria dos trabalhadores nem se apercebesse da dimensão do que está a ser aprovado a não ser depois, quando sofressem as consequências. Falamos do ataque à contratação colectiva e do roubo nas horas com o Código de Trabalho, mas igualmente do congelamento e corte dos salários até 2019 para a Administração Pública e para o SEE e da suspensão na prática da contratação colectiva no SEE.
Da mesma forma, o Governo aguardou por Julho para avançar com um conjunto de medidas de ataque aos transportes públicos, esperando que as férias e o cansaço desorganizem e diminuam a inevitável resistência de trabalhadores, autarquias e utentes. Assim, tivemos o anúncio do lançamento de novas PPP para o Metro do Porto e os STCP em Julho, teremos o Regime Jurídico dos Transportes Públicos e as alterações ao modelo tarifário na AML a terminar a discussão pública em Agosto, a ordem para desalojar as oficinas de Guifões da EMEF dada em Julho. E ainda teremos, antes de meados de Setembro, a tentativa de implementar mais um conjunto de medidas no processo em curso de destruição dos transportes públicos e de satisfação das necessidades dos grupos económicos e multinacionais que parasitam o sector.
Fracassarão. Em Julho e Agosto terão toda a resposta possível. Tal como em Setembro, Outubro, Novembro. E cada medida que aprovem hoje, pela calada da noite, será amanhã derrubada, com estrondo, pelo povo de Abril que eles tanto temem.