PCP mais forte
Sob o lema «Um PCP mais forte! Mais organização! Mais intervenção!», realizou-se no sábado, 28, a IX Assembleia de Organização Regional de Leiria, que contou com a presença de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP.
O Partido tem no distrito de Leiria margem para crescer
No Auditório da Resinagem, na Marinha Grande, estiveram, para além das dezenas de convidados, 134 delegados, que aprovaram por unanimidade a Resolução Politica, assim como todos os outros documentos apresentados, onde se reafirma a confiança dos comunistas em que, com o reforço da capacidade de organização e influência do Partido, com a força e determinação das lutas dos trabalhadores e do povo, é possível derrotar este Governo e a política de direita, abrindo caminho à construção de uma política alternativa, patriótica e de esquerda, na afirmação do projecto da Democracia Avançada, dos valores de Abril no futuro de Portugal, tendo no horizonte o socialismo e o comunismo.
Coube a Adelaide Pereira, do Comité Central do PCP e responsável pela Organização Regional de Leiria, a intervenção de abertura da IX Assembleia, onde deu conta do definhamento do comércio tradicional, da fragilização da agricultura e das pescas, da entrega ao grande capital de empresas e sectores estratégicos e da destruição de serviços públicos, com o encerramento de unidades de Saúde, de Serviços de Atendimento Permanente (SAP), de escolas e de tribunais.
«O aumento da exploração sobre os trabalhadores, que se traduz no aumento dos ritmos de trabalho e da jornada de trabalho, na redução de tempo de descanso e dos salários e remunerações, quer por via dos impostos e do roubo de prémios, continua a ser uma realidade», denunciou, dando como exemplo o que acontece na B.A. Vidro, na Gallo Vidro, na Atlantis, na Europack, na Grandupla, na Cariano, na Bonvida, na Hydro Buildings, na Transportadora Jaulino, na Electofer, na Moviflor e na Rodoviária do Tejo.
Adelaide Pereira informou ainda que o emprego no distrito está em queda desde 2009, que o nível de desemprego atingia, em Abril de 2014, 30 269 pessoas, segundo o IEFP, que a precariedade em 2012 abrangia pelo menos 25 por cento dos trabalhadores, aumentando um ponto percentual face a 2010, como aconteceu na Iber-Oleff, na Sumol+Compal, na Roca, na Key-Plastics, e que o lay-of, instrumento de aumento de exploração, tem sido utilizado na Weber Saint-Gobain e na B4F.
Reforçar o Partido
Adelaide Pereira destacou a necessidade de reforçar o Partido, «a sua organização, intervenção e capacidade de unir as mais amplas camadas e sectores em torno de objectivos de transformação social». «O Partido tem no distrito de Leiria 1343 militantes que desenvolvem actividades nos mais diversos movimentos de massas, no Poder Local e nas tarefas de organização. No entanto existem muitas centenas de camaradas que não têm qualquer tarefa e que é necessário envolver na actividade, estimular a participação, criar em cada um a necessidade de envolvimento na acção diária do seu Partido», salientou, precisando que desde a última Assembleia «recrutaram-se mais de 150 camaradas», um «número positivo, mas que ainda assim está aquém das possibilidades e dos objectivos definidos pelas organizações».
Para um PCP mais forte, acrescentou, «precisamos defender e reforçar a independência financeira», devendo «as nossas energias ser canalizadas para o esforço para aumentar as receitas próprias decorrentes da actividade e do reforço do Partido».
«Valorosa luta de resistência»
Referindo-se à Resolução Política aprovada em Leiria, Jerónimo de Sousa salientou que a mesma «dá-nos a dimensão da gravidade dos problemas e do agravamento verificado nestes três [últimos] anos negros da nossa vida democrática», mas também da «valorosa luta de resistência dos trabalhadores e do povo» e da «importante intervenção dos comunistas deste distrito que não se confinou à denúncia das políticas, mas também à apresentação de propostas de solução».
Encerrando os trabalhos, o Secretário-geral do PCP valorizou a importância das decisões tomadas na IX Assembleia da Organização Regional de Leiria «para o nosso trabalho ao serviço dos trabalhadores e do povo». «Temos confiança em que estaremos à altura das exigências da hora actual, de enfrentar os enormes perigos que estão presentes na vida do País, mas também de dar corpo ao desenvolvimento das potencialidades que se abrem de mudança e de avanço progressista com a intervenção e a luta do nosso Partido e das massas populares», salientou.
Terrorismo social
Jerónimo de Sousa falou ainda dos «insistentes apelos» ao consenso entre os partidos da troika nacional, protagonizados de forma insistente pelo Presidente da República, com o objectivo de salvar a política de direita que os portugueses de forma expressiva condenam. «Isso é bem visível no acelerar da política de agressão e terrorismo social por parte do Governo que se sente derrotado e investe para concretizar rapidamente as medidas mais gravosas contra os trabalhadores e as camadas populares», acusou, referindo-se à «nova escalada de ataque à Constituição e ao Tribunal Constitucional».
Também a alteração das leis eleitorais contam com a oposição do PCP. «Aqueles que avançam com tais soluções pretendem criar um sistema eleitoral que, sobretudo, favoreça e estimule a concentração de votos no PS e no PSD, com prejuízos manifestos para todas as outras forças», acusou o Secretário-geral do PCP.