Barclays fecha e despede
Em busca de maiores rentabilidades, o banco britânico Barclays anunciou, dia 7, um novo plano estratégico que pode passar pela saída de Espanha, França, Itália e Portugal.
Portugal não é poupado pelo grupo britânico
O plano prevê a criação de uma divisão específica com activos de 115 mil milhões de libras (149 mil milhões de euros), que absorverá os negócios que deixaram de ser considerados estratégicos.
Como noticiou, dia 8, o jornal económico espanhol Cinco Días, essa nova divisão, uma espécie de «banco mau», será constituída em grande parte pela área de banca de investimento (com activos de 110 mil milhões de euros) e pela banca de retalho em países europeus como Espanha, França, Itália e Portugal (com activos de 19 500 milhões de euros).
Segundo o mesmo jornal, os responsáveis do Barclays estudam em pormenor a venda da banca retalhista em Espanha e noutros países, considerando que o negócio «não se encaixa no novo plano estratégico».
Na verdade, o banco fechou as contas de 2013 em Espanha, onde possui a maior rede de dependências na Europa, com um prejuízo de 252 milhões de euros, depois de ter feito provisões no valor de 291 milhões de euros. Aliás, desde 2011 que o banco acumula prejuízos neste país.
Uma das razões destes prejuízos radica nos créditos à habitação concedidos com um baixo diferencial, de cerca de meio ponto percentual, em relação à Euribor. Hoje estas hipotecas são um negócio ruinoso para o banco já que a sua rentabilidade é inferior ao custo actual de refinanciamento destes créditos.
Neste contexto, no ano passado, foram suprimidos 890 postos de trabalho e encerradas 160 dependências espanholas. Mas o banco ainda conta com uma extensa rede de 271 balcões e cerca de 2800 trabalhadores.
O emagrecimento irá continuar com a redução de 19 mil empregos até 2016 em vários países, incluindo a própria Grã-Bretanha.
Cortes em Portugal
O novo plano de reestruturação, como confirmaram à agência Lusa, dia 9, sindicatos do sector, terá também efeitos no nosso País, onde a entidade possui 147 agências e emprega 1600 trabalhadores.
Em reuniões mantidas com a administração foi comunicada a intenção de manter em Portugal as áreas de negócio das grandes e médias empresas e a área dos cartões de crédito.
As restantes áreas serão alienadas a médio prazo. Por enquanto, sem despedimentos anunciados.