A banha da cobra
A promessa feita há umas semanas, por António José Seguro, de que irá acabar com os sem abrigo, em apenas um mandato, poderá ser entendida mais ou menos como uma espécie de anúncio da abertura de uma certa época de caça, em que vale tudo.
Cientes do profundo desgaste que o Governo tem vindo a sofrer, fruto das consequências concretas na vida do povo da aplicação da política de direita, agora no formato pacto de agressão, e da intensa luta que as massas têm protagonizado; a contar com os favores que o capital, via comunicação social, lhes proporcionará, amplificando todas as atoardas de que se lembrem para projectar diferenças menores, escondendo as convergências no que é estruturante e que, a cada passo, PS, PSD e CDS se encarregam de confirmar; Seguro e o PS vêm avançando com ideias que, no futuro, quando fosse o turno deles, implementariam para dar um ar de mudança e diferença.
Vai daí, em Caldelas de Amares, o Governo encerra a extensão de saúde e um candidato do PS ao Parlamento Europeu, Fernando Moniz, vai à freguesia garantir que, quando o PS for para o Governo, reabrirá aquela unidade de saúde.
Sucede que este agora candidato foi, no anterior mandato, Governador Civil do Distrito de Braga, altura em que o Governo mandou encerrar, para além de inúmeros Serviços de Atendimento Permanente, privando as populações de cuidados de saúde de proximidade durante as 24h do dia, a Maternidade de Barcelos, num processo de esvaziamento deste Hospital que serve um concelho de 89 freguesias.
Na altura, o agora prometedor dirigente socialista justificava a acção do Governo, sempre com a ladainha de que não há alternativa, desdenhava nos que lutavam contra o encerramento de serviços, acusava de demagogia o PSD que, à época, prometia reabrir a maternidade mal chegasse ao Governo.
No fundo, no fundo, isto não poderia ser de outra forma. Unidos pelo que é essencial, pelos grandes objectivos que o capital fez inscrever nos Tratado de Lisboa (o tal do Porreiro, pá!), no Tratado Orçamental, no Pacto EuroMais, no Semestre Europeu, simplifiquemos, na política de direita, o mais que podem fazer é, à vez, esboçar dúvidas e, lançar para o ar promessas e mais promessas que não tencionam cumprir.
Uns e outros, vendedores da banha da cobra que é preciso derrotar com o voto na CDU.