Poupar à custa da miséria
«O retrato da miséria que vai no País». Assim avaliou o deputado comunista Paulo Sá os dados da execução orçamental vindos a público na passada semana, que apontam para o cumprimento do limite trimestral para o défice orçamental acordado com a troika.
«Efectivamente foram feitas poupanças, de que o Governo se orgulha muito, mas são poupanças à custa por exemplo da degradação do Serviço Nacional, da escola pública, do alastramento de manchas de miséria e pobreza pelo País. O que pode haver de positivo nisto? Nada», afirmou o deputado do PCP Paulo Sá, em declarações aos jornalistas no Parlamento.
De acordo com o Ministério das Finanças, o défice das administrações públicas foi de 825 milhões de euros no primeiro trimestre do ano.
Há, entretanto, no entender de Paulo Sá um dado que sobressai: o aumento de 19% dos juros pagos no primeiro trimestre, cerca de 170 milhões de euros. Ou seja, observou, «à medida que vai impondo uma política de empobrecimento dos portugueses o Governo vai transferindo essa riqueza para os mercados financeiros através do incremento dos juros».
Quanto à receita, anotou, esta aumenta relativamente a 2102 mas isso resulta do saque fiscal que foi imposto em 2013 e também agora em 2014.
Um outro dado extremamente importante releva ainda desta execução orçamental, segundo Paulo Sá: enquanto a receita em IRS aumenta 10%, a receita em IRC (essencialmente sobre as grandes empresas) diminuiu 9%, isto é, «há uma transferência da riqueza do trabalho para o capital».
«Quer da análise da evolução da despesa, quer da receita sobressai um facto: esta política do Governo é uma política de empobrecimento dos portugueses, de favorecimento dos grandes grupos económicos», concluiu.