Fusão nefasta
O PCP apela aos trabalhadores da Refer e da Estradas de Portugal para que se unam em defesa das duas empresas, e da sua especificidade, contra a anunciada fusão que o Governo estará a preparar. Num comunicado da célula dos ferroviários da Organização Reginal de Lisboa do PCP, de 27 de Março, acusa-se Sérgio Monteiro e Pires de Lima de defenderem esta solução e, assim, servirem os interesses de aumento dos lucros dos grupos económicos que operam nestes sectores.
Se, com este Governo, a segurança ferroviária «já se degradou a níveis alarmantes», com a destruição da Refer e a sua fusão com a Estradas de Portugal esta agravar-se-ia, constituindo mesmo um «epílogo trágico desta política criminosa». Os comunistas lembram que o trabalho realizado em cada uma destas empresas tem especificidades que exigem uma formação própria. No caso da Refer, acrescentam, a complexidade do sistema ferroviário «exige uma técnica muito específica, numa articulação perfeita dos diversos aspectos da infra-estrutura com os comboios que nela circulam». Isto faz com que a fusão das duas empresas seja não apenas «disparatada e irracional» como perigosa para a segurança de trabalhadores, utentes e mercadorias.
O PCP alerta os trabalhadores para os perigos que esta fusão assume para os seus postos de trabalho e direitos, e os utentes para a «maior degradação dos serviços e do agravamento de custos que, a prazo, sobre eles recairá».
No plano sindical, está já marcada para o próximo dia 15, na sede do Clube Ferroviário (em Santa Apolónia, Lisboa) uma reunião de dirigentes e delegados sindicais, aberta a todas as estruturas representativas dos trabalhadores da Refer, para avaliar a resposta que urge dar a esta intenção do Governo.