Escola em risco
Milhares de escolas encerraram, dia 26, na Inglaterra e País de Gales em resultado de uma greve convocada pela União Nacional dos Professores (NUT).
Professores britânicos contra privatização das escolas
A greve teve grande impacto e «foi uma demonstração clara de que os professores estão cansados das intoleráveis pressões a que têm sido sujeitos pela coligação governamental», declarou Christine Blower, secretária-geral da NUT, o maior sindicato de professores do país, com mais de 325 mil filiados.
Boa parte das cerca de 26 mil escolas primárias e secundárias existentes na Inglaterra e no País de Gales encerraram total ou parcialmente. Em Londres cerca de 2500 professores desfilaram no centro da cidade.
A jornada de luta foi uma resposta à reforma da educação apresentada pelo ministro da tutela, o conservador Michael Gove, contra o qual se dirigiram a maioria dos slogans do protesto: «Deixem os professores ensinar, deixem as crianças aprender, obriguem Gove a ouvir».
O sentido das reformas foi bem definido por Gove quando afirmou, em Fevereiro, que o seu projecto consistia em «fazer cair o muro de Berlim entre as escolas privadas e as escolas públicas». As escolas públicas deveriam passar a ser geridas à semelhança das privadas, ou seja, de modo a dar lucro.
Nesse intuito, o ministro aposta na introdução de critérios de selecção de alunos e no aumento para lá do razoável do tempo de trabalho dos professores, a par da contínua redução salarial.
Desde 2011 que os professores têm os salários congelados, o se traduz numa perda de poder de compra na ordem dos dez por cento.
Cada vez mais mal pagos, os docentes já hoje têm de cumprir pesados horários que atingem em média as 59 horas semanais no ensino primário e as 55 horas no secundário, incluindo a preparação das aulas e outras tarefas extra-curriculares.
Mas o ministro Gove quer mais, e para isso está disposto a destruir o estatuto dos professores, cujas regras considera «demasiado restritivas»
Assim, em nome da «flexibilização», o governo britânico quer alargar a idade da reforma para os 68 anos, contra os actuais 65 anos, introduzir uma remuneração variável consoante o desempenho profissional e permitir a substituição indiscriminada de professores independentemente das qualificações.
Por último, pretende transformar as escolas numa espécie de empresas autónomas, em que os gestores passariam a definir horários de trabalho, salários e prémios e todo o tipo de tarefas atribuídas ao pessoal docente.
Alcançada esta «autonomia», os estabelecimentos públicos poderiam ser privatizados, à semelhança do que já acontece com muitas escolas semipúblicas, chamadas «free school» (escolas livres) «academy» (academias) ou «foundation school» (escolas fundação), que são tuteladas por entidades privadas, embora fortemente financiadas com dinheiros públicos.