Crise na Ucrânia

Chave tripla

A República Autónoma da Crimeia realiza, domingo, um referendo sobre a união à Rússia, o qual ocorre num quadro de tensão diplomática e militar envolvendo a Ucrânia.

O imperialismo envia meios militares para os limites da Ucrânia e da Rússia

A consulta, sustentada como legítima por Moscovo e qualificada pelas potências imperialistas e o governo de Kiev como ilegal, é mais um passo no caminho da secessão da península, isto depois de o parlamento de Simferopol ter aprovado, no final da semana passada, uma declaração de independência face à Ucrânia.

A iniciativa é mais um episódio no conflito entre governos ocidentais e russo. Os primeiros defendem o reconhecimento das autoridades golpistas. O Kremlin argumenta que tal representaria a imposição da política do facto consumado.

No terreno, sucedem-se as tomadas de posições estratégicas – bases militares, no porto de Sebastopol, nos aeroportos, estações ferroviárias e fronteiras – por parte das chamadas forças de autodefesa da Crimeia, as quais se justificam com a necessidade de impedir acções desestabilizadoras e a entrada de grupos violentos afectos a Kiev. Para os limites da Ucrânia e da Rússia, as potências imperialistas enviam meios militares: a Grã-Bretanha cedeu um avião para operações de vigilância; os EUA mobilizaram mais de duas dezenas de caças F-16 e F15, bem como um contingente de assalto de 300 homens, e fizeram atravessar no Estreito de Bósforo um dos seus maiores contra-torpedeiros, rumo ao Mar Negro.

Imprevisível

Em Kiev, o primeiro-ministro golpista, Arseni Iatseniouk, usou o bicentenário do poeta Taras Shevechenko para apelar à coesão, unidade e identidade nacionais, e ao aglutinar de forças. Na verdade, prepara-se para vender o país em Washington, onde ontem foi recebido por Barack Obama tendo na agenda a concertação de soluções económico-financeiras, e em Bruxelas, onde até dia 21 assinará o acordo de associação com a UE.

Coesão difícil de sustentar quando povo ucraniano sente os cortes na despesa e de metade das pensões de reforma impostos a pretexto da penúria da fazenda pública. Unidade e identidade cujas brechas se evidenciam em cidades do Leste da Ucrânia como Karkhov, Lugansk ou Donetsk, onde, a semana passada, poderosas manifestações exigiram um referendo sobre a união com a Rússia e populares ocuparam sedes administrativas, pese a repressão policial e os ataques da extrema-direita.

Em Lugansk, o povo rejeita o governador enviado pelos golpistas. Em Donetsk, o poder já mudou várias vezes de mãos e o povo não parece temer os mercenários da ex-Blackwater, alegadamente enviados para impor a ordem imperialista.

Aglutinar de forças que Kiev terá de garantir sem defraudar os sectores nazi-fascistas que foram o seu batalhão de choque na usurpação violenta do poder e que operam com total impunidade manifestando-se preparados para a guerra. Dmytro Yarosh, o líder do Sector de Direita – grupo que estará na posse de armamento antiaéreo portátil roubado de paióis, de acordo com um alto responsável militar ucraniano, e pode brevemente ser reconhecido como uma unidade paramilitar legal ou integrar uma nova guarda nacional cujo recrutamento está aberto – já anunciou a sua candidatura à presidência nas «eleições» de 25 de Maio e não aceitará que lhe sejam imputadas responsabilidades sobre a chacina na Praça Maidan.

É que a divulgação,n a semana passada, de um telefonema entre a chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia confirmou que as execuções de polícias e manifestantes, no final de Fevereiro, foram feitas por franco-atiradores afectos ao Sector de Direita e não por forças governamentais sob ordem do presidente Victor Yanukovich, como até aqui se veiculou.



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