Braço-de-ferro na Ucrânia

O presidente ucraniano Viktor Ianukovich aceitou, anteontem, a demissão apresentada pelo primeiro-ministro Mykola Azarov. Ao pedir, nesse mesmo dia, a sua destituição do cargo que ocupava desde Março de 2010, Azarov afirmava pretender facilitar uma solução para a crise que o país atravessa, marcada por violentos confrontos entre manifestantes e a polícia, que já provocaram cinco mortos. Entretanto, o presidente pediu aos membros do governo demissionário para que se mantenham em funções até à nomeação de um novo executivo.

No dia anterior, na sequência de uma ronda de conversações entre a presidência e forças da oposição, ambas as partes concordaram na abolição das leis anti-protesto recentemente implementadas e na concessão de uma amnistia aos manifestantes presos. Como contrapartida, os opositores deveriam abandonar os edifícios oficiais que ocupavam (tanto na capital como noutros pontos do país) e retirar as barricadas das ruas. As referidas leis foram efectivamente revogadas pelo Parlamento na terça-feira à tarde, pela larguíssima maioria dos deputados.

Segundo um comunicado divulgado pela presidência da República, nas reuniões de segunda-feira terá sido ainda oferecido o lugar de primeiro-ministro a um dos dirigentes da oposição, que no entanto recusou.

Em duas regiões do Oeste da Ucrânia, Ivano-Frankovsk e Ternopol, depois de os manifestantes terem assumido o controlo das sedes das autoridades regionais, foi anunciada a proibição dos símbolos e da actividade do Partido das Regiões (do presidente Ianukovich) e do Partido Comunista da Ucrânia. A Leste, foi o Conselho Supremo da Crimeia a banir o partido de orientação fascista Svoboda que, segundo destacam vários órgãos de comunicação social, tem vindo a assumir um papel determinante na contestação de rua ao presidente Ianukovich.




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