Milhares protestam contra atentado à democracia

O roubo da TV Valenciana

De­zenas de mi­lhares de pes­soas ma­ni­fes­taram-se no sá­bado, 30, no centro de Va­lência e ou­tras ci­dades do Sul de Es­panha, para de­nun­ciar o «roubo» da Ra­di­o­te­le­visão Va­len­ciana.

Po­lí­ticas eco­no­mi­cistas matam TV va­len­ciana

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O pro­testo foi or­ga­ni­zado horas de­pois de o go­verno re­gi­onal ter cor­tado o sinal da ra­di­o­te­le­visão pú­blica, RTVV, e dado ordem para a eva­cu­ação dos tra­ba­lha­dores da es­tação que per­sis­tiam em manter a emissão no ar.

A res­posta mas­siva da po­pu­lação, que saiu à rua em Va­lência e Ali­cante exi­gindo a de­missão do pre­si­dente do go­verno re­gi­onal, Al­berto Fabra, e a con­vo­cação de elei­ções an­te­ci­padas, veio dar força à luta dos tra­ba­lha­dores da es­tação.

Fa­lando no final da ma­ni­fes­tação em Va­lência, o pre­si­dente do Co­mité de Em­presa, Vi­cent Mifsud re­a­firmou que os tra­ba­lha­dores da RTVV «con­ti­nu­arão a lutar pela dig­ni­dade do povo va­len­ciano».

O corte abrupto do sinal da es­tação te­le­vi­siva «per­pe­trado ontem (29) foi uma au­tên­tica bar­ba­ri­dade», disse Mifsud, e «a re­acção do povo de­monstra-o». «Foi um ataque a toda a so­ci­e­dade que quer ter uma rádio e uma te­le­visão na sua pró­pria língua».

Na ma­ni­fes­tação, um pano lem­brava na língua local que «RTVV no es tanca, és la teua» (A RTVV não se en­cerra, é a tua). Mais adi­ante, outra faixa pedia elei­ções já.

Re­pre­sen­tantes de vá­rios par­tidos da opo­sição e das cen­trais sin­di­cais in­te­graram o des­file, assim como des­ta­cadas per­so­na­li­dades da cul­tura.

As de­cla­ra­ções foram unâ­nimes em con­si­derar o fecho da es­tação «ilegal» e um aten­tado à au­to­nomia.

Um acto bár­baro

Pelo meio-dia de sexta-feira, 29, um des­ta­ca­mento de 30 agentes po­li­ciais en­trou pelas portas tra­seiras da es­tação e pe­ne­trou na sala prin­cipal de con­trolo da te­le­visão re­gi­onal, para de­sa­lojar os tra­ba­lha­dores que desde as zero horas re­sis­tiam à ordem de sus­pensão da emissão.

Vinte mi­nutos bas­taram para a po­lícia des­pejar a sala de con­trolo e cortar o sinal da RTVV.

Mi­nutos antes, de­zenas de tra­ba­lha­dores des­pe­diram-se em di­recto, sau­dando o pú­blico que acom­pa­nhou as úl­timas horas dos quase 24 anos de trans­missão da RTVV.

A «RTVV vol­tará», gri­taram os tra­ba­lha­dores que se man­ti­veram no es­túdio até ao úl­timo mo­mento.

O sinal da rádio va­len­ciana já havia sido cor­tado às zero horas do mesmo dia, por ordem da co­missão de li­qui­dação no­meada pelo go­verno re­gi­onal. O sinal da te­le­visão foi man­tido, du­rante mais al­gumas horas, graças à in­ter­venção dos tra­ba­lha­dores.

Em sinal de so­li­da­ri­e­dade, vá­rias te­le­vi­sões pú­blicas de Es­panha, in­cluindo a na­ci­onal RTVE e a re­gi­onal da Ga­liza, re­trans­mi­tiram-no até ao corte final.

Uma questão de mi­lhões

Para o go­verno re­gi­onal de Va­lência o en­cer­ra­mento da te­le­visão «é triste, mas ne­ces­sário» – ex­pressão usada pelo seu mi­nistro da Eco­nomia, Má­ximo Bush. «Não se podia per­mitir uma te­le­visão com um custo tão alto, su­pe­rior a 120 mi­lhões de euros, quando se tem de fazer cortes em des­pesas so­ciais, saúde, edu­cação ou bem-estar so­cial», afirmou o mesmo res­pon­sável.

Opi­nião con­trária é de­fen­dida por toda a opo­sição, in­cluindo a porta-voz do PSOE no Con­gresso dos De­pu­tados, So­raya Ro­drí­guez, que instou o go­verno de Ma­riano Rajoy a evitar o en­cer­ra­mento da RTVV.

Se­gundo de­clarou a de­pu­tada so­ci­a­lista, o pre­si­dente do Go­verno «deve ac­tuar e deve pro­mover uma ne­go­ci­ação com a Co­mu­ni­dade Va­len­ciana para fazer marcha-atrás neste atro­pelo».

 



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