Trabalhadores da limpeza de Madrid obtêm vitória

Greve trava despedimentos

Os sindicatos chegaram a acordo na madrugada de domingo, 17, com as empresas concessionárias da recolha de resíduos urbanos de Madrid, pondo fim a uma greve que cumpria o seu 13.º dia.

Luta em unidade preserva emprego e salários

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O acordo foi aprovado em quatro assembleias de trabalhadores, realizadas em plena rua e debaixo de chuva. Motoristas, cantoneiros e jardineiros viram satisfeitas as suas principais reivindicações: a suspensão do plano de despedimentos, que afectava mais de 1134 trabalhadores num universo de seis mil, e a redução dos salários em 40 por cento.

O acordo obtido ao fim de uma reunião que durou mais de 15 horas foi qualificado pelos sindicatos como uma grande «vitória», que se tornou possível graças à «unidade» dos operários e sindicatos, segundo sublinhou o representante da CGT, Francisco Javier Palácios.

Ao longo de quase duas semanas, a greve encheu de lixo as ruas e avenidas da capital espanhola.

Alegando o não cumprimento dos «serviços mínimos», que impunham a recolha e limpeza de 40 por cento do espaço urbano, o município recorreu à empresa pública Tragsa para substituir os trabalhadores em greve, uma acção que os sindicatos consideraram ilegal por atentar claramente contra o direito de greve, consagrado na Constituição.

Apesar disso, no sábado, 16, a Tragsa colocou no terreno 200 operários, 110 dos quais contratados à pressa a empresas de trabalho temporário. Escoltados por 600 agentes policiais, estas equipas conseguiram retirar cerca de 610 toneladas de lixo no centro da cidade.

Durante o conflito, a presidente do município, Ana Botella (PP), alijou responsabilidades, considerando que se tratava de um problema do foro exclusivo das concessionárias.

Na realidade foi a gestão de Botella que precipitou os acontecimentos. Obstinada em «encontrar os melhores serviços para os madrilenos ao melhor preço», a edil renegociou em Agosto os contratos de concessão, cortando 26 por cento das verbas destinadas à limpeza e jardins. O município «poupava» assim 1943 milhões de euros.

Porém, a redução do valor dos contratos levou três das quatro empresas concessionárias a apresentar planos de despedimentos e de redução de salários, ao qual os trabalhadores responderam com uma poderosa greve.

Os custos do acordo

Se bem que a luta determinada e a grande unidade tenha suspendido o plano de despedimentos e de reduções salariais, o acordo alcançado prevê medidas que penalizam os trabalhadores.

As empresas poderão decretar um «expediente de regulação temporária de emprego» (ERTE) durante 45 dias por trabalhador, período de inactividade em que a Segurança Social cobre 75 por cento do salário. Por outro lado, o acordo assinado prevê o congelamento de salários nos próximos quatro anos.

Para além dos efeitos sobre os trabalhadores, os cortes efectuados pelo município terão um impacto negativo no serviço público: daqui em diante haverá menos cantoneiros a limpar as ruas de Madrid.

Entretanto, um outro conflito poderá estar prestes a eclodir na capital de Espanha. Trata-se da Empresa Municipal de Transportes, onde os sindicatos se opõem à proposta de novo convénio que prevê reduções salariais e despedimentos.




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