Outubro vivo
O tradicional almoço comemorativo do aniversário da Revolução Russa de 1917 na sede nacional do PCP, em Lisboa, teve lugar na segunda-feira com a participação de largas dezenas de funcionários e colaboradores da estrutura central do Partido Comunista Português. A intervenção esteve, este ano, a cargo do membro da Comissão Política do Comité Central Jaime Toga, que destacou o empreendimento pioneiro que representou a tomada do poder pelo proletariado russo – com o Partido Bolchevique, dirigido por Lénine –, que considerou o «maior acontecimento do século XX». Esta revolução, acrescentou o dirigente comunista, marcou inclusivamente o «início de uma nova época histórica, de passagem do capitalismo ao socialismo».
Jaime Toga, após salientar as «grandes realizações e conquistas» alcançadas, na URSS, nos planos político, social, económico, cultural, técnico, científico e nacional, acrescentou que as consequências da Revolução de Outubro não ficaram limitadas às fronteiras soviéticas: «por todo o Mundo, fizeram-se sentir os ventos emancipadores inspirados no feito de Lénine, do Partido Bolchevique e do povo soviético, sendo o Partido Comunista Português um desses exemplos.» As transformações registadas na URSS, salientou Jaime Toga, foram «determinantes para a derrota do nazifascismo e na defesa da paz, na conquista de uma nova ordem internacional e na fundação da ONU, no apoio aos movimentos revolucionários e de libertação nacional e no combate ao colonialismo, na ajuda e estímulo a outras revoluções socialistas».
O membro da Comissão Política reafirmou ainda que as derrotas registadas na União Soviética e no próprio campo socialista na viragem da década de 80 para a de 90 do século passado não anulam as «grandes realizações do socialismo e os avanços da civilização que lhe estão associados».
Fazendo a ponte para a actualidade, o dirigente do PCP garantiu que, tal como a revolução de Abril revelou, «está e estará sempre nas mãos dos trabalhadores e do povo português a construção do seu próprio futuro». Este passa, para o PCP, pela adopção de uma política patriótica e de esquerda, que se integra no programa de uma Democracia Avançada, «parte integrante da construção de uma sociedade socialista em Portugal».