Comício do PCP no Porto

Lutar pela alternativa

No comício que, no sábado, encheu por completo o auditório do Instituto Superior de Engenharia do Porto, foi lançada a campanha do PCP «Basta de roubos e mentiras!».

Da resistência e luta populares depende a derrota do Governo

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Após um momento musical de grande qualidade, da responsabilidade de Jorge Lomba, interveio Luís Pinto, membro da DORP do PCP, que, numa rica intervenção (cheia de exemplos concretos da situação que os trabalhadores do sector da indústria enfrentam nos seus locais de trabalho), apelou ao reforço da organização do Partido: «Precisamos de um PCP cada vez mais forte nos locais de trabalho, a intervenção dos comunistas nas empresas e a participação efectiva nas organizações dos trabalhadores é fundamental para esclarecer, sensibilizar e mobilizar os trabalhadores no combate à exploração e empobrecimento que este Governo pretende impor ao povo português.»

De seguida, usou da palavra Lurdes Ribeiro, membro da DORP e do Comité Central, que destacou a ameaça de entrega de alguns hospitais às misericórdias (como o centro hospitalar do Porto, o Centro de Reabilitação do Norte, o hospital da Póvoa e o de Vila do Conde) e referiu ainda a «dramática falta de pessoal auxiliar e administrativo» nos hospitais e centros de saúde. No que respeita à educação, a dirigente regional do Partido caracterizou a situação que as escolas atravessam como sendo «caótica», devido à falta de pessoal, agravada recentemente pela «mobilidade interna» imposta pelo Ministério.

Relativamente aos transportes, Lurdes Ribeiro denunciou a tentativa de destruição das empresas públicas do sector, «entregando aos privados o que é rentável, reduzindo serviços, aumentando preços de passes e bilhetes e roubando direitos aos trabalhadores». Tudo situações que, salientou, justificam plenamente a luta dos trabalhadores pois, «por muito desigual que seja a correlação de forças, são muitos os exemplos de que, quando os trabalhadores se unem para resistir e lutar, é possível impedir que este Governo e esta política nos destrua direitos».

Há força bastante

O Secretário-geral do PCP começou a sua intervenção por saudar o povo do distrito do Porto, pela «magnífica jornada de luta» que foi a «Marcha por Abril, contra a exploração e o empobrecimento», que caracterizou como sendo uma «impressionante manifestação de força e confiança na luta organizada e uma inquestionável demonstração de determinação e vontade dos trabalhadores e do povo desta grande região de tudo fazer para apressar e pôr fim a um Governo que está a levar para a ruína e a destruir o presente e o futuro dos portugueses». A «palavra de ordem», acrescentou, «é intensificar a luta. Todas as lutas», pois atravessamos um momento de redobrada ofensiva do Governo contra os trabalhadores, os reformados e as populações em geral.

Houve lugar, ainda, para uma segunda saudação de Jerónimo de Sousa, desta vez a «todos os que contribuíram, com o seu trabalho e o seu voto, para construir o importante e expressivo resultado da CDU», que é, igualmente, um estímulo aos «importantes combates que temos pela frente», nomeadamente, à luta pela rejeição do Orçamento do Estado para 2014 e contra «esse famigerado programa de terrorismo social a que chamam “Reforma do Estado”» – e que é, na verdade, mais uma proposta que visa «impor o Estado mínimo para os trabalhadores e para o povo e o Estado máximo para os negócios e rendas do grande capital».

O Secretário-geral do PCP destacou ainda a necessidade da ruptura com a política de direita e da construção de uma política alternativa, patriótica e de esquerda, garantindo existirem em Portugal «forças bastantes e capazes» de promover essa alternativa: «Nós temos confiança que o povo português será capaz de abrir um caminho novo de esperança que Portugal precisa!».

 

Por todo o País

 

A mais recente campanha nacional do PCP iniciara-se na noite de 29 de Outubro, numa sessão pública em Alverca que contou com a presença de Jerónimo de Sousa. Já então o Secretário-geral do PCP criticara a proposta de Orçamento do Estado, considerando-a «mais um passo na agudização da crise, mantendo intocáveis os objectivos de agravamento do roubo dos trabalhadores e dos reformados, na reconfiguração do Estado à medida da banca e dos grandes grupos económicos». A derrota do Governo e do seu Orçamento foi desde logo apontada como o caminho a seguir pelos trabalhadores e pelo povo.

Na manhã seguinte, em empresas, ruas e terminais de transporte público, a campanha do PCP chegou a todo o País, reafirmando-se que «basta de roubos e mentiras» e reafirmando-se a exigência de demissão deste Governo.



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