Todos às pontes!

Ângelo Alves

Estávamos a escrever umas linhas sobre as insultuosas declarações de Durão Barroso durante um encontro de empresários realizado em Vilamoura. O facto suscitou-nos revolta e o conteúdo e a forma com que o presidente da Comissão Europeia se referiu à situação de Portugal justificava uma denúncia veemente. O mordomo da cimeira da guerra nos Açores, o ex-primeiro ministro de Portugal que abandonou funções para ir para Bruxelas, o agora representante máximo de uma das componentes da troika estrangeira foi a Vilamoura dizer mais ou menos isto: Portugal tem de continuar a cumprir à risca as medidas que estão a infernizar a vida dos portugueses, ou então «está o caldo entornado». Mas não falou apenas para o Governo, nem mesmo para a plateia de empresários – coisa também desnecessária. Fez questão de deixar claro que se dirigia «a todos órgãos de soberania e da sociedade no seu conjunto.» Se dúvidas houvesse a quem Durão Barroso se referia, a referência aos «riscos» por «falta de determinação» e por «instabilidade social» deixou claros os objectivos e destinatários do seu discurso: o Tribunal Constitucional, o povo português que se manifesta e luta contra a política das troikas e claro a Constituição da República Portuguesa.

Ora, estamos na análise deste gravíssimo acto de ingerência, atentatório do mais básico elemento da soberania nacional, a Constituição da República, quando o inacreditável acontece. Ouvimos que um qualquer gabinete técnico de segurança da Ponte 25 de Abril tinha posto entraves à realização da Marcha por Abril, convocada pela CGTP para o dia 19. Razões? Número incerto de participantes e paleio, autêntico paleio, sobre segurança das infra-estruturas. A resposta da CGTP não se fez esperar. Vamos marchar na Ponte 25 de Abril, tal como na Ponte do Infante! Porque esse é um direito constitucionalmente garantido! E não será uma tentativa desesperada de veto político travestido de «relatório de segurança» que desmobilizará o povo português de dar um ponte-a-pé a Durão Barroso e ao Governo português, duas faces de uma mesma política, que vêem na Constituição de Abril um obstáculo à sua obra de destruição. Dia 19 lá estaremos marchando por Abril e por Portugal!




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