Motivos económicos reduzem natalidade
Entre Janeiro e Junho deste ano, nasceram menos 3968 crianças do que em igual período do ano passado, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE)
O número total de nascimentos foi de 39 913 contra 43 881 registados no mesmo período do ano passado.
Ouvido pela agência Lusa, José Morgado, coordenador do Departamento de Psicologia de Educação no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), não tem dúvidas em relacionar a descida contínua da natalidade em Portugal com o desemprego jovem, o elevado preço das creches e a dificuldade em conciliar carreira e maternidade.
O especialista observa que, com o «desemprego jovem a rondar os 40 por cento», é natural que os projectos de paternidade fiquem «altamente comprometidos».
«As pessoas não têm casa, não têm emprego, estão a viver com os pais. Há um lado económico que tem bastante peso». Por outro lado, o preço dos equipamentos e serviços para a primeira infância e pré-escolar são dos mais caros da Europa, proporcionalmente ao nosso rendimento.
De resto, na opinião deste especialista, «toda a conjuntura económica, aliada à falta de confiança no futuro, retira às pessoas a disponibilidade para contrair a responsabilidade da família, de um filho, de um segundo ou terceiro filho».