Tribunal francês condena Continental

Despedimento ilegal

Dois anos e meio após o encerramento da fábrica de pneus Continental em Clairoix (Noroeste da França), um tribunal declarou ilegal o despedimento de 680 trabalhadores.

Sentença tardia não evita drama humano

A sentença foi acolhida com aplausos e gritos de vitória por mais de 200 antigos trabalhadores da Continental, que se concentraram, dia 30, junto ao tribunal de primeira instância de Compiègne.

A advogada que os representou anunciou-lhes que a multinacional alemã fora condenada em toda a linha. Os magistrados anularam o despedimento colectivo, invalidando as razões económicas invocadas para justificar o encerramento da unidade industrial.

Além disso, a empresa foi condenada por desrespeitar um acordo estabelecido em 2007, mediante o qual os trabalhadores aceitaram a reintrodução das 40 horas semanais, em troca da manutenção dos postos de trabalho até 2012.

Porém, o acordo foi rompido logo na Primavera de 2009, provocando um longo conflito laboral que durou até ao encerramento da fábrica no início de 2010.

A sentença vem dar força aos trabalhadores da Arcelor ou da Sanofi que lutam actualmente pelos seus empregos.

No entanto, como salientou, o delegado da CGT, Xavier Mathieu, trata-se de «uma vitória amarga», que chega «tardiamente» e não poderá reparar «o drama humano». «Ainda há cerca de 500 trabalhadores despedidos abusivamente inscritos nos centros de emprego, alguns suicidaram-se (...) teríamos preferido que a nossa fábrica continuasse a laborar».

A condenação da Continental não devolverá a fábrica à região nem os postos de trabalho destruídos. Quanto muito, os trabalhadores poderão aspirar a serem indemnizados, caso a sentença seja confirmada em instâncias superiores.

Por sua parte, o grupo alemão informou que está a avaliar a possibilidade de um recurso, reafirmando que o fecho da fábrica se deveu à sobreprodução de pneus na Europa e à crise do mercado automóvel.

Já o Partido de Esquerda e o PCF reclamam a aprovação de uma lei que impeça as empresas de procederem a encerramentos arbitrários, sem respeitarem a legislação francesa. Se uma tal lei estivesse em vigor, a Continental nunca poderia ter fechado a fábrica de Clairoix.

 



Mais artigos de: Europa

Emprego! Não à mobilidade

A central sindical grega Adedy convocou para os próximos dias 18 e 19 uma greve em toda a administração pública contra o plano de mobilidade e a política de despedimentos.

Mais pensionistas que trabalhadores

O número de pensionistas na Roménia supera largamente o número de trabalhadores no activo. E a razão é simples: desde o derrubamento do regime socialista foram destruídos quatro milhões de postos de trabalho. Em 1990, o país contava com 8,2 milhões de...

Ex-presidente subornado

O tribunal regional de Hannover, na Alemanha, vai abrir um processo contra o ex-presidente alemão Christian Wulff por suspeitas de corrupção, segundo noticiou, dia 27, a revista Der Spiegel. Wulff, que foi eleito presidente da Alemanha a 30 de Junho de 2010, viu-se forçado a apresentar a...

France Télévisions reduz pessoal

A administração do grupo público de televisão France Télévisions anunciou dia 27 um plano de rescisões «voluntárias», que prevê a supressão de mais 600 postos de trabalho. Desde o início de 2013, o grupo já reduziu 500...

Outra Europa na Festa

É muitas vezes difícil começar a escrever a primeira palavra, a primeira frase, o primeiro parágrafo e pode ser depois tão ou mais difícil parar, dizer já basta ou simplesmente terminar porque entretanto tomámos um tal balanço que...