O PSD no Pontal – trapaças e ameaças
A auto-denominada «rentrée» do PSD no Pontal traduz um conceito da acção política como espectáculo mediático do «chefe», que se tornou inerente aos partidos da política de direita. Mas este pequeno e (para eles) triste comício algarvio, de quase fim de verão, foi apenas mais um da extensa lista de congéneres de que nem uma ideia sobrará para a história do progresso da humanidade. Neste caso, como em muitos outros destas quase quatro décadas de luta de classes no Portugal de Abril, ficam registadas umas quantas mistificações, manobras e conspirações e uns poucos protagonistas recentes da contra-revolução monopolista, de ajuste de contas com o regime constitucional e abdicação dos interesses e da soberania nacional.
Assim, deste Pontal, sobram do discurso de Passos Coelho não mais que duas linhas de intervenção substancial.
As trapaças que visam: esconder as responsabilidades na desgraçada situação do país, de que todos menos o PSD (!) são ou virão no futuro a ser culpados; mistificar que a natureza promiscua deste capitalismo monoplista de Estado em reconfiguração é intrínseca ao enriquecimento clientelar (swaps, PPPs, BPN) e à corrupção de barões do cavaquismo e outros; e manipular índices económicos circunstanciais e sazonais para encher o «novo fôlego do Governo» e preterir para Outubro o efeito político dos cortes brutais que se abatem sobre os trabalhadores e o país.
E as ameaças que procuram: intimidar a resposta de massas ao pacto de agressão e a estas medidas, sabendo bem que da sua dimensão e avanço depende de facto a possibilidade de derrota do governo e da política de direita; silenciar as dificuldades e contradições internas que resultam da rejeição e da luta de massas; chantagear o Tribunal Constitucional com os «riscos» das suas decisões, como se o Governo não estivesse obrigado ao estrito cumprimento da Lei Fundamental.
As trapaças e ameaças do Pontal são a expressão das dificuldades actuais e anunciadas de um governo fora da lei, ilegítimo, isolado e derrotado, e são a antecâmara da sua demissão.
Com confiança, pelo caminho da luta de massas, do reforço do PCP e da CDU.