Resultados positivos em empresas industriais

Vitórias dão força à luta

A Delphi, a Vis­teon, a Inapal Plás­ticos e a Sch­nel­lecke são apon­tadas como em­presas onde, nos úl­timos dias, houve im­por­tantes re­sul­tados po­si­tivos da re­sis­tência dos tra­ba­lha­dores e da acção dos sin­di­catos da Fi­e­qui­metal/​CGTP-IN.

Quem luta pode vencer, mas quem não re­siste perde de cer­teza

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«Vín­culos pre­cá­rios foram pas­sados a efec­tivos, foram pagos di­reitos que eram re­cu­sados, foram al­can­çadas me­lho­rias sa­la­riais, foi tra­vada a li­qui­dação de cen­tenas de postos de tra­balho», des­taca-se na nota pu­bli­cada, dia 2, no sítio elec­tró­nico da Fe­de­ração In­ter­sin­dical das In­dús­trias Me­ta­lúr­gicas, Quí­micas, Eléc­tricas, Far­ma­cêu­tica, Ce­lu­lose, Papel, Grá­fica, Im­prensa, Energia e Minas, que cita in­for­ma­ções de sin­di­catos fi­li­ados.

Num co­mu­ni­cado de 30 de Julho, o Sin­di­cato dos Tra­ba­lha­dores das In­dús­trias Trans­for­ma­doras, Energia e Ac­ti­vi­dades do Am­bi­ente do Norte saudou a luta dos tra­ba­lha­dores da Inapal Plás­ticos pela me­lhoria das re­mu­ne­ra­ções, que se vinha de­sen­vol­vendo desde o início do ano e foi mais in­tensa nas úl­timas se­manas (com greves de uma ou duas horas por dia, no início de Julho e a partir de dia 17). O SITE Norte re­fere que:
   - foi con­se­guida a in­te­gração do prémio de as­si­dui­dade na re­mu­ne­ração-base, alar­gando o pa­ga­mento para ca­torze meses, com um acrés­cimo de 2,67 euros;
   - passam a ser abran­gidos mais tra­ba­lha­dores, pela mu­dança no cri­tério de apli­cação da «pres­tação de de­sem­penho».
Ficou es­ta­be­le­cido o com­pro­misso de ini­ciar em Ja­neiro a ne­go­ci­ação das rei­vin­di­ca­ções para 2014.

A 16 de Julho, re­corda-se na nota da Fi­e­qui­metal, a ad­mi­nis­tração da Fico Ca­bles in­formou o SITE Norte de que nunca teria pre­ten­dido pôr em causa a saúde, dig­ni­dade e di­reitos da vida ín­tima e pri­vada das pes­soas e que não pre­tendia con­trolar ne­ces­si­dades fi­si­o­ló­gicas dos tra­ba­lha­dores, de­cla­rando que fi­cava sem efeito o anun­ciado sis­tema de con­trolo das idas à casa-de-banho.

Em Pal­mela, a luta e a re­sis­tência dos tra­ba­lha­dores ga­ran­tiram a ma­nu­tenção dos con­tratos de tra­balho e dos di­reitos ad­qui­ridos, de­pois do so­bres­salto cau­sado pela Au­to­eu­ropa e pelo Grupo Sch­nel­lecke (lo­gís­tica), re­velou na sexta-feira, dia 2, o SITE Sul. Estas em­presas fi­zeram ter­minar no final de Julho os con­tratos de pres­tação de ser­viços entre ambas, dei­xando mais de 250 tra­ba­lha­dores na in­cer­teza quanto ao fu­turo.
O sin­di­cato e as co­mis­sões de tra­ba­lha­dores pro­mo­veram a re­a­li­zação de ple­ná­rios, a 24, 25 e 26 de Julho, onde houve dis­po­ni­bi­li­dade ime­diata dos tra­ba­lha­dores para pa­rarem a pro­dução. Esta res­posta obrigou os res­pon­sá­veis das em­presas a ini­ci­arem um pro­cesso de ne­go­ci­ação e a ga­ran­tirem, an­te­ci­pa­da­mente, a ma­nu­tenção dos con­tratos de tra­balho e res­pec­tivos di­reitos ad­qui­ridos, na mu­dança das em­presas pres­ta­doras de ser­viços.

Pre­ca­ri­e­dade
der­ro­tada

Fruto da acção sin­dical, mais de meia cen­tena de tra­ba­lha­dores tem­po­rá­rios vão ser in­te­grados nos qua­dros da Vis­teon, em Pal­mela (onde a mul­ti­na­ci­onal norte-ame­ri­cana possui a Vis­teon Cli­mate Por­tugal e a Vis­teon Elec­tró­nica Por­tu­guesa, com um total de mais de mil tra­ba­lha­dores per­ma­nentes).
A in­for­mação do Sin­di­cato das In­dús­trias Eléc­tricas do Sul e Ilhas é com­ple­tada com ou­tros re­sul­tados:
   - cerca de 200 tra­ba­lha­dores tem­po­rá­rios passam a ter evo­lução na car­reira, quando es­ti­verem mais de um ano na em­presa;
   - vai deixar de haver con­tratos se­ma­nais, pois ficou acor­dado que, do­ra­vante, o prazo de con­tra­tação tem­po­rária seja, no mí­nimo, um mês.
Para con­cre­tizar as in­te­gra­ções pre­vistas e apontar para novas en­tradas nos qua­dros, as reu­niões com as ad­mi­nis­tra­ções vão ser re­to­madas após o pe­ríodo de fé­rias.
O tra­balho sin­dical que per­mitiu chegar a este ponto, ex­plica o SIESI, vem desde Maio. Foram re­a­li­zados ple­ná­rios de tra­ba­lha­dores das duas em­presas da Vis­teon (no papel de uti­li­za­doras de mão-de-obra tem­po­rária) e da for­ne­ce­dora, a Tempo-Team (Grupo Randstad). Os tra­ba­lha­dores tem­po­rá­rios, con­vo­cados pela sua co­missão sin­dical, com­pa­re­ceram em massa. O sin­di­cato as­si­nala que este terá sido o pri­meiro caso de con­vo­cação es­pe­cí­fica de tem­po­rá­rios para ple­ná­rios em ins­ta­la­ções de em­presas uti­li­za­doras.

O SIESI re­velou ainda que, re­cen­te­mente, na fá­brica da Delphi, no Seixal, 21 con­tra­tados a prazo foram in­te­grados nos qua­dros como efec­tivos. O mesmo de­verá ser de­ci­dido para os res­tantes con­tra­tados (cerca de uma de­zena), pois re­a­lizam ta­refas de ca­rácter per­ma­nente.
Em Junho, re­cordou o sin­di­cato, nesta mesma uni­dade in­dus­trial, também de uma mul­ti­na­ci­onal norte-ame­ri­cana, cerca de 80 tra­ba­lha­dores tem­po­rá­rios re­ce­beram va­lores em falta, re­la­tivos à in­clusão dos sub­sí­dios por ho­rário noc­turno no pa­ga­mento dos sub­sí­dios de fé­rias e de Natal. Houve tra­ba­lha­dores que re­ce­beram cerca de mil euros.
O sin­di­cato ga­rantiu que vai con­ti­nuar a exigir a in­te­gração nos qua­dros de uma parte dos cerca de 200 tem­po­rá­rios que ali la­boram.

 

Acordo no Mi­ni­preço

Podem ficar em lojas à sua es­colha os tra­ba­lha­dores do su­per­mer­cado Mi­ni­preço na Rua Mi­guel Bom­barda, no Porto, que a em­presa quis trans­ferir para es­ta­be­le­ci­mentos muito dis­tantes, de­pois de terem par­ti­ci­pado na greve geral de 27 de Junho.
Em co­mu­ni­cado, no dia 1, o CESP/​CGTP-IN in­formou que o acordo al­can­çado na vés­pera re­sultou da luta dos tra­ba­lha­dores, or­ga­ni­zados no sin­di­cato, e des­tacou o bom senso da so­lução en­con­trada. Os tra­ba­lha­dores podem ficar na mesma loja ou ir para outra, perto da sua re­si­dência.
As or­dens de trans­fe­rência foram pu­bli­ca­mente de­nun­ci­adas no dia 12 de Julho, numa acção do CESP, que as con­si­derou como re­pre­sá­lias e vi­o­la­ções do di­reito ina­li­e­nável à greve, ga­ran­tido pela Cons­ti­tuição, e como um ataque à de­mo­cracia.
O sin­di­cato, como no­ti­ciámos, saudou as ex­pres­sões de so­li­da­ri­e­dade de cli­entes e amigos para com estes tra­ba­lha­dores, mas de­marcou-se de apelos ao boi­cote às com­pras.




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