Promiscuidade
Mais importante do que saber quem mente no caso do envolvimento de membros do Governo nos negócios dos swap é a própria natureza do problema, reveladora da promiscuidade existente entre o poder político e o poder económico. Foi desta forma que Jorge Cordeiro, da Comissão Política e do Secretariado do Comité Central do Partido, reagiu ontem de manhã ao pedido de demissão do secretário de Estado do Tesouro Joaquim Pais Jorge. Para o PCP, mais do que a demissão de um ou outro membro do Governo, eventualmente envolvidos nestes negócios, o que importa é que o Governo abandone funções, pois há muito que não tem quaisquer condições para continuar a dirigir o País.
Na véspera, igualmente em declarações aos jornalistas, o mesmo dirigente do PCP tinha realçado que as eventuais mentiras «são questões absolutamente marginais quando comparadas com o fundo da questão, ou seja, o prejuízo do interesse público e a criação de condições para satisfazer grupos financeiros». O que foi feito no caso dos swaps (como noutros) foi «assegurar que centenas de milhões de euros saem dos bolsos dos trabalhadores e do povo português para entidades financeiras nacionais ou internacionais» como o Citigroup, o Golden Sachs ou o Santander. Os governantes eventualmente envolvidos nestes processos agem «determinados pelos interesses que servem».
Assim, realçou Jorge Cordeiro, não se está perante quaisquer «falhas de caráter, erros de percurso ou valorização sobre procedimentos éticos», sublinhando em seguida a «dimensão política e financeira que está associada a um percurso de intervenção política de sucessivos governos que, no fundamental, nesta fusão do poder politico e económico e de promiscuidade dos interesse políticos e económicos, asseguram a transferência de recursos públicos para os bolsos do capital financeiro».