Greve dos enfermeiros com elevada adesão

Os enfermeiros portugueses, em greve nos dias 9 e 10 de Julho, começaram a ver resultados da sua luta logo no primeiro dia: o Ministério da Saúde agendou para sexta-feira uma reunião com o sindicato.

Os enfermeiros não estão disponíveis para aceitar as 40 horas semanais

Na origem da greve está a degradação das condições de trabalho, nomeadamente o aumento do horário de trabalho das 35 para as 40 horas semanais sem remuneração, os cortes no sector da Saúde que levam a que haja enfermeiros a ganhar 3,4 euros/hora, e a situação dos profissionais a Contrato Individual de Trabalho.

A jornada de luta, que ainda prosseguia no encerramento da nossa edição, registou no primeiro dia uma adesão, a nível nacional, entre os 60% e os 90%, segundo o presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) José Carlos Martins.

«Isto é um claro sinal de que os enfermeiros não estão disponíveis para aceitar as 40 horas semanais», afirmou o dirigente sindical em declarações à Lusa, sublinhando que na terça-feira à tarde a greve já havia tido «dois efeitos práticos»: o Ministério da Saúde agendou uma reunião com o sindicato para sexta-feira (depois de ter desrespeitado o compromisso de agendar uma reunião entre o dia 17 e 25 de Junho com os enfermeiros para discutir matérias urgentes) e o grupo parlamentar socialista anunciou que vai apresentar um projecto de resolução sobre esta matéria.

Apesar destes desenvolvimentos, o SEP decidiu manter a greve também na quarta-feira, como inicialmente previsto – o facto de o Ministério ter marcado a reunião para sexta-feira «não viabilizou qualquer espaço de discussão prévio à greve e por isso decidimos mantê-la», afirmou José Carlos Martins – e avisou desde logo que «caso o Ministério da Saúde não perspective, na sexta-feira, uma solução para os problemas, está já agendada uma vigília junto ao Ministério entre os dias 22 e 24 deste mês».

Ainda segundo o dirigente do SEP, os serviços mais afectados foram as consultas de enfermagem nos centros de saúde e as consultas externas e cirurgias nos hospitais.

De referir que o Ministério da Saúde, que na terça-feira não divulgou dados da adesão à greve - rejeita as acusações de falta de diálogo e considerou esta jornada de luta uma «estratégia da intimidação».

A par da defesa das suas condições de trabalho e de vida, os enfermeiros batem-se também pela qualidade e segurança dos serviços que prestam aos utentes e pela defesa do Serviço Nacional de Saúde. Por isso lembram, em informação à população, que os cortes efectuados pelo Governo já ultrapassaram em cerca de 300 milhões de euros o que estava previsto, o que significa que todas as instituições estão a ter cada vez mais dificuldade em dar as respostas que os portugueses precisam e a que têm direito. E o Governo, alertam, ainda quer «cortar mais». 

Razões da greve

  • Porque faltam enfermeiros nos serviços.

  • Porque o Governo quer despedir enfermeiros.

  • Porque o Governo quer aumentar o horário de trabalho de 35 para 40 horas contra tudo o que é razoável para permitir o necessário descanso.

  • Porque querem zelar pela sua própria segurança e pela segurança dos utentes.

  • Porque querem defender o Serviço Nacional de Saúde.

 



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