Tribuna pública do PCP na Trafaria

Não ao terminal de contentores

O PCP está contra a instalação do terminal de contentores da Trafaria e promoveu uma tribuna pública na freguesia para mobilizar contra esta intenção do Governo. 

A população da Trafaria tem o direito a decidir do seu destino

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A Comissão de Freguesia da Trafaria do PCP promoveu recentemente uma tribuna pública onde reafirmou o seu repúdio pela proposta de instalação de um terminal de contentores nesta freguesia piscatória do concelho de Almada. A tribuna, que suscitou o interesse e a participação de muitos habitantes locais, contou com a presença de Amélia Pardal, vereadora da Câmara Municipal de Almada, Bruno Dias, deputado na Assembleia da República e membro da Assembleia Municipal de Almada, e Joaquim Judas, primeiro candidato da CDU à Câmara Municipal de Almada.

A vereadora do Planeamento e do Urbanismo começou por afirmar que a defesa do futuro da Trafaria exige uma política de desenvolvimento económico sustentado, que respeite as condições endógenas da freguesia, do concelho de Almada e da região de Setúbal e a vontade das suas populações. A autarca criticou ainda o facto de os inúmeros projectos da Câmara Municipal de Almada para a requalificação da Trafaria terem sido bloqueados e rejeitados pelos sucessivos governos.

Bruno Dias, por sua vez, apresentou as conclusões da audição parlamentar sobre a gestão do Porto de Lisboa, realizada recentemente, na qual ficou provada que este projecto se insere na política de cedência aos interesses dos grandes grupos económicos estrangeiros. Já a população da Trafaria não passa, para o Governo, de um «dano colateral» na competição desenfreada entre multinacionais, na corrida à usurpação dos recursos nacionais.

O candidato da CDU à presidência do município, Joaquim Judas, afirmou que a luta contra os contentores na Trafaria é uma luta pelo direito da população da vila a decidir do seu futuro. A liberdade de decisão, prosseguiu Joaquim Judas, exige a garantia de um conjunto de direitos que estão hoje em causa na Trafaria, fruto do ataque ao poder local democrático e em particular às freguesias (ameaçadas de extinção), e à ofensiva contra as funções sociais do Estado, patente no encerramento do serviço de consultas do Centro de Saúde local.

Protesto com razões

Desde que foi conhecida a intenção do Governo de construir na Trafaria um terminal de contentores que o PCP manifestou a sua oposição. Esta posição do Partido tinha, como tem ainda, razões sólidas, a começar pelo facto de que a construção deste terminal inviabilizaria por completo qualquer estratégia de desenvolvimento da Trafaria, nomeadamente no que respeita às actividades produtivas fundamentais, como a pesca.

O estuário do Tejo não tem um porto de pesca e os comunistas consideram urgente que o tenha, apontando a Trafaria como o local privilegiado para a sua instalação. A proposta do Governo não só impediria tal cenário como representaria inclusivamente a destruição de postos de trabalho e do aparelho produtivo instalado.

Outro motivo para a oposição comunista a este projecto prende-se com os moldes previstos para o negócio: uma parceria público-privada de contornos «escandalosos» (como afirmou a Comissão de Freguesia do PCP num comunicado emitido mal foi conhecida a intenção do Governo), representando na prática a entrega do terminal a privados, mesmo antes de «nascer», ficando o Estado com a responsabilidade de concretizar as acessibilidades terrestres e as intervenções no sistema hidrográfico. Para o Partido, trata-se de mais uma cedência do Governo às multinacionais do sector.



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