Conferência no Porto

Organização e luta dos trabalhadores

Mais de 500 pessoas ligadas ao mundo do trabalho participaram, no dia 4, na conferência «Álvaro Cunhal, organização e luta dos trabalhadores», realizada no Porto.

As reflexões de Álvaro Cunhal têm uma impressionante actualidade

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Dirigentes e delegados sindicais, membros de organizações representativas de trabalhadores, activistas sindicais e homens e mulheres ligados à luta nas empresas e locais de trabalho encheram por completo o auditório principal da Fundação Eng. António de Almeida para participarem em mais uma importante iniciativa realizada no âmbito das comemorações do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal.

Na conferência foram proferidas intervenções que, valorizando o legado de Álvaro Cunhal para a organização e luta dos trabalhadores, não se limitaram a apelar à memória e falar do passado. Pelo contrário, as conquistas e as formas de organizar e intervir na sociedade foram abordadas não apenas a partir da perspectiva do que já aconteceu, mas também – e sobretudo – da perspectiva do que é preciso fazer para que o futuro seja determinado pela força organizada dos trabalhadores. Para tal contribuíram as intervenções dos membros do Comité Central Joaquim Almeida e Ana Valente, do coordenador da União dos Sindicatos do Porto, João Torres; do Secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos; do membro do Secretariado e da Comissão Política do CC, Francisco Lopes; e de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do Partido.

A necessidade de uma fortíssima ligação às massas, «para que surjam novos militantes, novos quadros, energia, inspiração e recursos para derrotarmos o inimigo» (utilizando as palavras empregues por João Torres) transpareceu em todas as intervenções. Tal como a constatação de que com a organização e o envolvimento dos trabalhadores, com a sua luta, tudo é possível de alcançar.

Francisco Lopes destacou, entre outras questões, a importância decisiva da unidade da classe operária e dos trabalhadores, «elemento determinante da sua força». Tanto assim é, sublinhou, que «nem o capital nem o poder político que o serve, por muita força que tenham, são capazes de se opor à força que resulta da unidade dos trabalhadores, assente na sua organização e expressa na luta de massas». Esta unidade, acrescentou o dirigente comunista, forja-se em torno dos interesses de classe, elemento unificador independentemente de opções partidárias, confissões religiosas, etnia, nacionalidade ou vínculo laboral. «Todos são explorados pelo capital», destacou.

Arménio Carlos citou Álvaro Cunhal para lembrar que «nenhuma classe passa de governada a governante por uma estrada em linha recta ou por avanços continuados. Não o faz sem vitórias e sem derrotas, sem passar mil vezes da defensiva à ofensiva e vice-versa, sem avançar hoje para recuar amanhã».

Ensinamentos actuais

Ao período de debate aberto ao público seguiu-se o encerramento da conferência, que ficou a cargo de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP. Destacando a contribuição particular de Álvaro Cunhal para a organização e luta dos trabalhadores, através do «aprofundamento e concretização das orientações do PCP», o dirigente comunista valorizou a resposta encontrada para as especificidades da situação portuguesa, lembrando a intervenção visando a «tomada por dentro, em listas de unidade, dos sindicatos únicos e de sindicalização obrigatória do regime fascista – os denominados sindicatos nacionais».

Projectando na actualidade o pensamento de Álvaro Cunhal, Jerónimo de Sousa apontou a luta organizada das massas como o caminho para «ultrapassar a actual situação de empobrecimento e de intensificação da exploração», pois, como dizia o histórico dirigente comunista, «a situação económica e a vida política portuguesa não se decide apenas nas altas esferas. Na vida política e na vida económica intervêm directamente os trabalhadores, intervêm directamente as massas populares e há uma verdade que, hoje como sempre, continua válida: e que é o povo, são as massas populares, a força motora da história. A última palavra na vida das nações acaba sempre por ser ditada pelas massas populares». Para o Secretário-geral do Partido, «é a compreensão deste papel das massas que não pode ser perdida de vista».



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