Estudantes e trabalhadores em luta no Chile
O movimento estudantil chileno agendou para o próximo dia 8 de Maio uma nova manifestação pela educação gratuita e de qualidade. Antes, os jovens participam na marcha nacional pela água pública, marcada para o próximo dia 22, e 1.º de Maio.
A convocatória foi feita depois de milhares de alunos e docentes do superior e do secundário, pais e trabalhadores do sector terem protestado, dia 11 de Abril, em mais de uma dezena de cidades do país em defesa da escola pública e pela substituição do sistema herdado da ditadura fascista de Augusto Pinochet, considerado um dos mais iníquos do mundo e gerido no interesse da acumulação de lucros por parte dos privados que, na sua maioria, o dominam.
A central sindical CUT aderiu à iniciativa realizada na semana passada, salientando que «são os trabalhadores quem, mês após mês, têm de juntar os tostões dos salários miseráveis para pagar a educação dos seus filhos», explicou, em nome da central, Bárbara Figueroa, líder da Confederação e ex-dirigente do Sindicato dos Professores. A consideração expressa, aliás, uma das palavras de ordem mais ouvidas no desfile popular promovido na capital, Santiago do Chile, onde se garantiu que «estamos a marchar para os nossos filhos poderem estudar».
Na acção de massas sobressaiu igualmente a exigência de renacionalização da exploração de todas as jazidas de cobre do território, principal recurso do país (responsável por cerca de metade do PIB), mas que, na sua maioria, está entregue a privados, ao invés de financiar serviços públicos como a educação.
Dois dias antes da manifestação pela educação pública, gratuita e de qualidade, cerca de 45 mil mineiros do sector público (30 por cento do total das explorações) e privado cumpriram uma greve de 24 horas em defesa de melhores salários, pensões e direitos, notando igualmente que a precariedade laboral que alastra impõe aos trabalhadores contratados remunerações 70 por cento inferiores às auferidas pelos efectivos. A paralisação teve ainda como objectivo afirmar a resistência dos operários ao que qualificam como uma privatização encapotada do sector.
Entretanto, os trabalhadores do sector portuário alcançaram uma importante vitória ao cabo de dez dias de greve. Em causa estava a manutenção dos postos de trabalho de trabalhadores e dirigentes sindicais perseguidos e ameaçados de despedimento pela empresa Ultraport no Porto de Angamos, e a defesa do direito à pausa.
A persistência dos estivadores garantiu não apenas o emprego aos trabalhadores visados e o reconhecimento de um período de descanso bonificado, como demonstrou ainda que a unidade e determinação dos trabalhadores é capaz de dividir e fazer recuar o patronato e as suas ofensivas, já que, nos últimos dias da greve, os grémios dos produtores de frutas e de exportadores de madeiras insistiram para com a empresa portuária para que cedesse às reivindicações laborais.